O MDB declarou-se neutro na disputa presidencial deste ano. Nas duas mais recentes, tinha até candidato próprio, agora, sequer vai declarar apoio a qualquer um em qualquer lugar.
O MDB é apenas a mais recente entre grandes agremiações partidárias a se comportar dessa maneira e o motivo é tão simples quanto grave para o sistema político e eleitoral do Brasil.
Os diretórios estaduais estão liberados para apoiar quem bem entendam, dependendo da região. Ou seja, o mesmo partido acaba endossando num lugar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no outro a oposição a ele. Tem partidos, como o PSD, que tem nome próprio à presidência, fazendo a mesma coisa.
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2026-07-28 21:43:54A causa é simples, as consequências são complexas. Todos esses grandes partidos querem ter o maior acesso possível aos fundos eleitorais e partidários, e para isso, precisam muitos candidatos no Congresso e nas Assembleias Legislativas.
Esses muitos candidatos valem também muita grana em termos de emendas parlamentares.
Para que gastar uma fortuna numa campanha presidencial – com o risco de sair perdendo – se a mesma grana empenhada em campanhas nas eleições proporcionais garante depois mais grana, mais poder? Em todas as regiões?
O que isso revela é a profunda distorção na relação entre os poderes. O presidente não é mais a figura forte que já foi. Os arranjos regionais passam a ser fins em si mesmos, e não uma escada para grandes conquistas nacionais.
Tudo isso faz sentido racional do ponto de vista do comportamento dos grupos políticos, que é manter a maior proximidade possível da máquina e dos cofres públicos. O resto “que se dane”.