Waack: O Supremo consegue julgar a si mesmo?

Seja o que for que aconteça na sessão de terça (15), o STF não mais será o que foi

Waack: O Supremo consegue julgar a si mesmo?
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Waack: O Supremo consegue julgar a si mesmo?

Seja o que for que aconteça na sessão de terça (15), o STF não mais será o que foi

William Waack

Todo poder corrompe, e o poder absoluto corrompe absolutamente. Essa é uma das mais velhas frases na política e define o que aconteceu com o STF (Supremo Tribunal Federal), que há tempos deixou de ser uma Corte constitucional e se transformou num clube de gente muito poderosa, inclusive na política.

Donos do poder supremo na acelerada dissolução dos poderes na república brasileira, que está chegando claramente a um final de ciclo, pois o que está em julgamento no Supremo nesta terça-feira (15) não é apenas o destino de um de seus integrantes, o ministro Alexandre de Moraes.

É o próprio órgão de Poder.

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Ora, a história ensina que órgãos de Poder não julgam a si mesmos. Mantém o poder que tem, ou perdem. Isto ocorre em parte quando seus integrantes descem de um Olimpo onde são intocáveis.

Não se sabe, nesta segunda feira (14), se isto vai acontecer dentro das próximas 12 horas. Mas sabe-se onde chegamos. A um órgão fundamental para o convívio social sofrendo de gravíssima crise de confiança, portanto de legitimidade.

Seja o que for que aconteça na sessão de terça (15), o STF não mais será o que foi. É fortíssima a pressão externa por reforma judicial, como mandato para os ministros.

De que jeito vai acontecer neste momento é imprevisível: depende das próximas eleições, depende do comportamento de lideranças débeis e também do famoso clamor popular.

Sentindo-se donos do poder absoluto, que corrompe absolutamente, integrantes do Supremo arrastaram a instituição para essa situação delicada e perigosa – para eles e para o país.

Se são vítimas de alguma coisa, é apenas da própria arrogância.



Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/politica/waack-o-supremo-consegue-julgar-a-si-mesmo/