A Polícia Federal começou a apresentar nesta quinta-feira (6), o relatório final do Inquérito Policial que apurou as circunstâncias da queda de um avião da Voepass no interior de São Paulo, em agosto de 2024. Segundo o delegado André Ribeiro, a diretoria da companhia aérea orientava os funcionários a não registrarem falhas operacionais.
As investigações apontaram que a Voepass operava sob uma “cultura de omissão” e mantinha um padrão de não reporte de panes nas aeronaves da companhia. Segundo o delegado, a empresa “despachava a aeronave em situação de perigo e cabia ao piloto solucionar os problemas”.
No final do último mês, o relatório final do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) já havia concluído que o acidente foi resultado de uma sucessão de falhas da empresa, da tripulação e da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil).
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2026-08-06 15:57:56Para Ribeiro, a “cultura de omissão era implementada na empresa e ia diretamente em todas as cadeias da empresa”. O delegado ainda exemplificou afirmando que, à época do acidente, “o responsável pelo MCC (Centro de Controle de Manutenção) da empresa, estava com o certificado cassado para atuar na aviação”.
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Depois do acidente, a Anac impôs restrições operacionais à companhia e, em 2025, cassou definitivamente seus certificados de operação e manutenção.
Relatório do Cenipa
Segundo a investigação, a aeronave não deveria sequer ter decolado nas condições em que foi liberada para o voo, pois operava com o sistema Airframe De-Icing, responsável pela proteção contra o acúmulo de gelo, inoperante.
O ATR-72 de matrícula PS-VPB fazia o voo entre Cascavel (PR) e Guarulhos (SP) quando encontrou condições severas de formação de gelo durante o cruzeiro.
O gelo acumulado nas superfícies críticas da aeronave degradou o desempenho do avião, provocando perda de velocidade, estol aerodinâmico, perda de controle e, posteriormente, a queda em uma área residencial de Vinhedo (SP). Os 58 passageiros e os quatro tripulantes morreram.