USDA alerta que geopolítica seguirá ditando os mercados agrícolas

Para Justin Benavidez, economista-chefe da entidade, decisões políticas e conflitos internacionais terão peso crescente na formação dos preços das commodities.

USDA alerta que geopolítica seguirá ditando os mercados agrícolas
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USDA alerta que geopolítica seguirá ditando os mercados agrícolas

Para Justin Benavidez, economista-chefe da entidade, decisões políticas e conflitos internacionais terão peso crescente na formação dos preços das commodities.

Luciana Franco e Arthur Bambini, , São Paulo

A combinação entre tensões geopolíticas, mudanças nas políticas de biocombustíveis e riscos climáticos deve continuar moldando os mercados agrícolas globais na safra 2026/27.

A avaliação é do economista-chefe do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), Justin Benavidez, apresentada nesta quinta-feira (30), durante a primeira edição do Outlook Agro Brasil, em Brasília.

Segundo o economista, apesar do ambiente de incertezas, a demanda mundial por alimentos permanecerá firme, sustentando as perspectivas para a produção global de grãos e proteínas animais. Ao mesmo tempo, decisões políticas e conflitos internacionais terão peso crescente na formação dos preços das commodities.

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Entre os principais fatores de risco apontados pelo USDA estão a evolução do conflito envolvendo o Irã, uma eventual normalização das exportações pelo Mar Negro, a renegociação do acordo comercial entre Estados Unidos, México e Canadá (USMCA), a aprovação da nova Farm Bill americana e a implementação das novas políticas de incentivo aos combustíveis renováveis nos Estados Unidos.

Esses fatores, segundo o USDA, têm potencial para alterar o fluxo do comércio global, a competitividade entre os países exportadores e o equilíbrio entre oferta e demanda de commodities agrícolas, provocando oscilações nos preços internacionais.

Exportações de milho seguem aquecidas

Para o milho, o USDA projeta mais um ciclo de forte demanda internacional, com expectativa de exportações globais em níveis recordes. Os estoques dos principais países exportadores continuam relativamente apertados, cenário que tende a sustentar os preços e manter elevado o fluxo do comércio internacional.

Já a soja permanece fortemente influenciada pela expansão da indústria de biocombustíveis nos Estados Unidos.

Segundo o USDA, o aumento da capacidade de esmagamento continua sendo estimulado pelo aquecimento da demanda por óleo vegetal destinado à produção de diesel renovável e biodiesel.

As novas metas do programa americano de combustíveis renováveis devem manter esse movimento nos próximos anos, ampliando o consumo doméstico de óleo de soja.

Em 2025, a EPA ( Agência de Proteção ambiental dos Estados Unidos, sigla em inglês) definiu novas metas para os anos de cumprimento de 2026 e 2027, com forte aumento da participação dos chamados biocombustíveis de base em biomassa (biomass-based diesel), categoria que inclui o biodiesel e o diesel renovável. Essa decisão tem impacto direto sobre o mercado mundial de soja.

Para os biocombustíveis de base em biomassa, a EPA estabeleceu para 2026 participação de 7,12 bilhões de galões, e para 2027 cerca de 7,50 bilhões de galões.

Os volumes representam um aumento significativo em relação aos níveis anteriores e sinalizam maior demanda por matérias-primas, especialmente óleo de soja.

Para a temporada 2026/27, o USDA trabalha com preços médios de US$ 4,40 por bushel para o milho, US$ 11,40 para a soja, US$ 6 para o trigo e 73 centavos de dólar por libra para o algodão

Embora as perspectivas indiquem continuidade da demanda global por alimentos, o USDA ressaltou que a volatilidade deverá permanecer elevada.

De acordo com Benavidez, fatores geopolíticos, políticas energéticas e eventos climáticos continuarão determinando o comportamento dos mercados agrícolas internacionais ao longo dos próximos meses.

Pecuária mantém preços elevados

No mercado pecuário, o departamento americano projeta continuidade da valorização do gado bovino em 2026.

As estimativas apontam preços médios de US$ 250 por 100 libras (45,36 quilos) para o boi gordo, alta de cerca de 11% em relação a 2025, enquanto os bezerros de reposição devem alcançar US$ 364 por 100 libras, avanço de aproximadamente 13%.

Em contrapartida, outras proteínas apresentam cenário mais acomodado. O USDA prevê redução nos preços do leite, do frango e uma forte queda nas cotações dos ovos após os recordes observados anteriormente.



Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/agro/usda-alerta-que-geopolitica-seguira-ditando-os-mercados-agricolas/