Um gol de placa para o setor elétrico brasileiro
Marcio Rea relata, em artigo à CNN, como o ONS driblou desafios na gestão do sistema elétrico durante a Copa do Mundo e conseguiu garantir um atendimento sem sobressaltos aos torcedores
A cada Copa do Mundo a rotina do país se transforma. Milhões de brasileiros se reúnem em casas, bares, e espaços públicos para acompanhar os jogos, enquanto atividades comerciais e industriais se adaptam ao ritmo da competição. Para o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), esse movimento coletivo é também um desafio adicional.
Embora a atenção esteja voltada para os gramados, uma complexa operação acontece nos bastidores para garantir que a energia elétrica chegue com segurança e confiabilidade a todos os brasileiros. Por trás de cada partida, há estudos, simulações e análises que preparam o Sistema Interligado Nacional (SIN) para diferentes cenários de consumo, assegurando o equilíbrio entre geração e demanda em um sistema que conecta o país de Norte a Sul.
Em 2026, com o setor de energia em crescente transformação, esse trabalho ganhou relevância ainda maior. O comportamento da carga elétrica se mostrou mais intenso do que em edições anteriores, exigindo respostas ainda mais ágeis para manter a segurança operativa durante todo o torneio.
Recomendado para você
Durigan descarta nova versão do Desenrola após prorrogação de prazo para adesões
Ministro da Fazenda atribuiu piora no endividamento das famílias à pan...
2026-07-29 08:23:09Salvador anuncia duas novas linhas de ônibus para atender Mata Escura e Arraial do Retiro
Salvador anuncia duas novas linhas de ônibus para atender Mata...
2026-07-29 08:17:33Inmet emite alerta amarelo de baixa umidade para 78 cidades da Paraíba; veja lista
Inmet emite alerta amarelo de baixa umidade para 78 cidades da...
2026-07-29 08:10:15Um dos exemplos dessa dinâmica foi observado na partida entre Brasil e Japão. Durante o jogo, o esperado movimento de redução do consumo de energia teve o maior número já registrado em Copas do Mundo. Em determinado momento, a carga do sistema chegou a ficar 21% abaixo do padrão esperado para um dia típico, superando as variações observadas na Copa do Catar, em 2022, que oscilaram entre 11% e 14%. Esse percentual de 21% representa uma diferença de 14.000 MW entre o dia do jogo e um dia típico, o que equivale a soma das cargas médias dos estados do Rio de Janeiro e de Minas Gerais.
Responder com eficiência a oscilações dessa magnitude é motivo de orgulho. Mas outro aspecto da operação merece destaque: a capacidade de fazer isso apoiado em uma matriz elétrica predominantemente renovável. Durante a Copa do Mundo de 2026, cerca de 86% da geração de energia veio dessas fontes, demonstrando que o Brasil é capaz de conciliar confiabilidade operativa e sustentabilidade. Trata-se de uma característica que nos coloca em posição de destaque no cenário internacional e reforça a solidez do nosso setor elétrico.
A experiência da Copa também reforça uma convicção importante: a operação do sistema elétrico não se resume aos grandes eventos. Todos os dias, o ONS acompanha a transformação da matriz elétrica brasileira e se prepara para os desafios que estão redefinindo o setor, como a crescente participação das fontes renováveis e da micro e minigeração distribuída, a expansão da infraestrutura de transmissão, o aumento da capacidade de escoamento da energia gerada no país e a incorporação de novas tecnologias, como os sistemas de armazenamento em baterias. Iniciativas como o Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP), Resposta da Demanda e os investimentos em modernização do sistema representam oportunidades importantes para ampliar a flexibilidade operativa.
Ao final da competição, o resultado desse esforço foi uma operação conduzida com sucesso. O equilíbrio entre geração e consumo foi mantido em todos os momentos, mesmo diante de oscilações expressivas de carga. Superar mais esse desafio reforça a capacidade de planejamento do ONS e a robustez do SIN. Para toda a equipe é como um gol de placa.
Em 2027, o Brasil sediará a Copa do Mundo Feminina. Estamos prontos para mais uma vez garantir que tudo corra bem fora dos gramados. Atuaremos com o mesmo compromisso que orienta o nosso trabalho: assegurar energia com confiabilidade e excelência para a sociedade brasileira.