A Colômbia enfrenta uma situação de duplo alerta após ser atingida por um terremoto nesta segunda-feira (10).
Além dos danos causados pelo tremor, o país passou a monitorar a atividade súbita do vulcão Puracé, um dos mais ativos do território colombiano, que começou a expelir cinzas e gases logo após o evento sísmico.
Terremotos de magnitudes similares, profundidades diferentes
Segundo Pedro Côrtes, analista de Clima e Meio Ambiente da CNN, o terremoto na Colômbia guarda semelhanças com o que ocorreu recentemente na Venezuela, embora envolva placas tectônicas distintas.
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2026-08-10 22:27:48“Os dois terremotos tiveram magnitude similar, tanto da Venezuela quanto o da Colômbia, só que profundidades diferentes”, explicou. Enquanto o tremor venezuelano foi mais raso, com cerca de 10 quilômetros de profundidade, o colombiano atingiu aproximadamente 110 quilômetros de profundidade.
Pedro Côrtes detalhou ainda que, no caso da Venezuela, o contato ocorreu entre a placa sul-americana e a placa do Caribe, ao passo que o terremoto colombiano resultou da interação entre a placa sul-americana e a placa do Pacífico.
Assim como na Venezuela, onde houve um segundo tremor logo após o principal, a Colômbia registrou uma réplica de grau 5 cerca de 45 minutos depois, conforme o Serviço Geológico Americano. “Muitos edifícios que tiveram sua estrutura danificada acabaram colapsando diante desse segundo tremor”, afirmou o analista.
A relação entre o terremoto e a ativação do vulcão
Pedro Côrtes explicou o mecanismo que conecta os dois fenômenos. A placa do Pacífico, ao penetrar por baixo da placa sul-americana, provoca o fraturamento desta última — processo que gera os terremotos.
Parte do material da placa que se aprofunda derrete com o calor e retorna à superfície na forma de magma, percorrendo as falhas e dutos criados pela colisão entre as placas e, assim, ativando os vulcões.
“É uma associação que pode efetivamente ocorrer”, ressaltou o analista, acrescentando que a costa da América do Sul faz parte do chamado cinturão de fogo, formado por vulcões ativos exatamente em razão dessa dinâmica.
Questionado sobre a possibilidade de vulcões adormecidos serem reativados por tremores dessa magnitude, Pedro Côrtes confirmou que o fenômeno ocorre “com uma certa frequência”.
Segundo ele, muitos países já possuem levantamentos sobre a periodicidade e a duração dessas erupções, uma vez que os vulcões não permanecem ativos de forma permanente, mas se reativam de tempos em tempos.
Preocupação com novas réplicas
Além da atividade vulcânica, o analista alertou para os riscos representados por possíveis novas réplicas.
Para os moradores das regiões afetadas, a principal preocupação é que esses tremores adicionais possam danificar ainda mais as estruturas já fragilizadas pelo abalo principal, provocando novos desabamentos e mortes.