O governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), rebateu nesta terça-feira (25) acusações de que o governo paulista teria interferido ou segurado o avanço de uma investigação da Polícia Civil que alcançou pessoas ligadas à produção de “Dark Horse”, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Questionado sobre críticas de petistas à condução do caso e sobre a demora na análise do material apreendido, Tarcísio classificou as acusações como um desrespeito à corporação.
“Primeiro, isso é um desrespeito com a Polícia de São Paulo. É uma polícia extremamente profissional, é uma polícia de Estado, não é uma polícia de governo”, afirmou.
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2026-08-25 11:48:51O governador também garantiu que será cumprida a decisão do ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), que autorizou a Polícia Federal a ter acesso a documentos, dados e materiais apreendidos pela Polícia Civil paulista durante a Operação Wi-Fi, deflagrada em junho.
“A Polícia Militar é uma polícia profissional, a Polícia Civil é uma polícia profissional e a gente tem que ter confiança nas instituições de Estado. […] Obviamente, se tem uma determinação judicial, a determinação vai ser cumprida”, disse Tarcísio.
A manifestação ocorreu durante um evento sobre violência doméstica em São Paulo.
Dino autoriza PF a acessar dados de operação
Decisão do ministro Flávio Dino, do STF, atende a um pedido da própria Polícia Federal e permite o compartilhamento de provas recolhidas pela Polícia Civil de São Paulo.
A PF solicitou acesso não apenas a documentos e relatórios, mas também aos dados brutos extraídos de mídias apreendidas e aos registros relacionados à cadeia de custódia desse material.
As investigações estadual e federal têm objetos distintos, mas passaram a se cruzar.
A Operação Wi-Fi foi deflagrada pela Polícia Civil em 1º de junho para investigar suspeitas de irregularidades envolvendo o ICB (Instituto Conhecer Brasil) e um contrato para a oferta de internet gratuita firmado com a Prefeitura de São Paulo.
A apuração envolve suspeitas de fraude na licitação e na execução do contrato e possível desvio de dinheiro público.
O instituto é comandado por Karina Ferreira da Gama, também ligada à Go Up Entertainment, produtora responsável por Dark Horse. Essa conexão fez com que o material recolhido em São Paulo despertasse o interesse da investigação federal.
No STF, Dino é relator de uma apuração sobre a possível destinação irregular de emendas parlamentares ao Instituto Conhecer Brasil.
Entre os recursos sob investigação estão R$ 2 milhões destinados pelo deputado federal Mário Frias (PL-SP), que também assina o roteiro do filme. A representação que deu origem ao caso foi apresentada pela deputada Tabata Amaral (PSB-SP). Frias nega que as emendas tenham sido usadas para financiar a produção.