Siemens Energy fecha contrato para fornecer equipamentos para Petrobras
Companhia vai produzir sistemas de geração de energia e compressão de gás para as plataformas P-81 e P-87, na Bacia de Sergipe-Alagoas; projeto prevê cerca de 900 empregos diretos e indiretos no Brasil
A fabricante de equipamentos alemã Siemens Energy fechou um contrato com a holandesa SBM Offshore para fornecer sistemas de geração de energia e compressão de gás que serão instalados nas plataformas P-81 e P-87, destinadas aos projetos da Petrobras na Bacia de Sergipe-Alagoas. O valor do contrato não foi divulgado.
Ao todo, a fabricante fornecerá 16 sistemas modulares principais, conhecidos como skids, sendo oito para cada navio-plataforma. Os equipamentos vão reunir os sistemas responsáveis tanto pelo fornecimento de eletricidade das unidades quanto pela compressão do gás produzido em alto-mar.
Em cada FPSO (unidade flutuante de produção, armazenamento e transferência em formato de navio) o pacote da Siemens Energy contará com quatro geradores movidos por turbinas a gás para o suprimento de energia elétrica, três trens de compressores acionados também por turbinas a gás para o processamento e o escoamento da produção e um compressor elétrico destinado à injeção de gás no reservatório.
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2026-08-10 11:19:13À CNN, Marcela Souza, vice-presidente sênior da Siemens Energy para a América Latina, afirma que o projeto reforça a parceria da companhia com a Petrobras e terá uma parcela relevante dos equipamentos fabricada no Brasil.
Os skids serão produzidos majoritariamente no complexo industrial da Siemens Energy em Santa Bárbara d’Oeste, no interior de São Paulo, atendendo aos requisitos de conteúdo local do projeto. Parte dos principais componentes, no entanto, será importada. As turbinas serão fabricadas em Montreal, no Canadá, enquanto os compressores serão produzidos na Alemanha.
“É um projeto relevante para o país, pois além da exploração do gás e da situação do Nordeste, temos a possibilidade de utilizar esse gás porque ele será canalizado e vai para a terra e pode ser comercializado”, afirma Marcela.
A expectativa da Siemens Energy é que o contrato resulte na geração de aproximadamente 400 empregos diretos e outros 500 indiretos no país. Para a executiva, o projeto também evidencia a importância da manutenção de uma cadeia industrial instalada no Brasil, em um cenário de avanço de fornecedores asiáticos, principalmente chineses, em segmentos que anteriormente tinham participação maior de fabricantes com produção local.
Marcela defende que o governo adote medidas de defesa comercial capazes de preservar a competitividade da indústria instalada no país. “A partir do momento em que não temos essa proteção ao mercado local de fabricação, perdemos competitividade e teremos que olhar projetos fora do Brasil”, diz.
Cada uma das duas plataformas terá capacidade de geração de aproximadamente 100 megawatts (MW) de energia elétrica em alto-mar. Em termos de equivalência de consumo, essa potência seria suficiente para abastecer uma cidade de cerca de 500 mil habitantes.
As primeiras entregas dos equipamentos estão previstas para o fim de 2027. O cronograma de fornecimento continuará ao longo de 2028, quando deverão ocorrer as entregas finais.
As plataformas P-81 e P-87 fazem parte dos projetos Sergipe Águas Profundas I e II, conhecidos como SEAP I e SEAP II.
Em abril, a Petrobras anunciou investimentos superiores a R$ 60 bilhões nos dois projetos. Juntas, as duas plataformas terão capacidade para produzir até 240 mil barris de petróleo por dia e processar 22 milhões de metros cúbicos de gás natural diariamente.