Seu cérebro sabe que você emagreceu? Entenda resposta do organismo
Fome e aumento de energia podem aparecer como respostas fisiológicas após a grande perda de peso, aponta especialistas
O Brasil vive hoje um cenário de alerta envolvendo a busca pelo emagrecimento. Chegou às farmácias brasileiras na última terça-feira (1º) a Semavy, caneta emagrecedora a base de semaglutida. O produto se junta a uma série de medicamentos voltado ao tratamento de diabetes tipo 2 ou obesidade, como o Ozempic e o Mounjaro.
Mas, você realmente sabe quais são os efeitos do emagrecimento no sistema fisiológico?
Segundo o médico Fábio Miranda Ribeiro, especialista em cirurgia geral, endoscopia digestiva e nutrologia, o cérebro recebe informações de que houve uma redução das reservas de energia e pode reagir aumentando sinais relacionados à fome, modificando a sensação de saciedade e contribuindo para uma redução do gasto energético.
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2026-09-06 04:09:27Anteriormente o cérebro estava acostumado com uma rotina e com um sistema diferente do que ele tem agora. Por este motivo, é normal que, após deixar de utilizar medicamentos para emagrecer, o usuário volte a sentir muita fome ou tenha muita energia para gastar.
“O organismo entende que houve uma redução das reservas energéticas e passa a tentar recuperar esse estoque. Isso não acontece por falta de força de vontade, mas por mecanismos fisiológicos de defesa”, explica o médico.
Não é apenas o aumento da fome, mas a disponibilidade muda. É normal que a pessoa se sinta mais leve. Isso acontece porque o corpo precisa de menos energia para realizar algumas atividades do que quando gastava com um peso maior.
“Não gosto de resumir o emagrecimento à ideia de ‘comer menos e gastar mais’. Essa relação existe, mas o corpo não é uma calculadora estática. Ele responde à perda de peso, ao déficit energético e às mudanças na composição corporal”, aponta o médico.
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É ideal manter o exercício mesmo após a perda de peso
O exercício ganha um papel importante nesse processo. É necessário que as atividades físicas sejam encaradas como uma "estratégia de manutenção", mesmo após a perda de peso.
As atividades físicas ajudam na força, na disponibilidade, reduz os riscos de doenças crônicas e auxiliam na melhora da qualidade do sono.
“Um erro comum é imaginar que, para manter o peso, a pessoa precisa aumentar cada vez mais o volume de exercício. O mais importante é construir uma rotina que consiga ser mantida. Treinamento de força, atividade aeróbica, movimento ao longo do dia e recuperação precisam fazer parte de um conjunto”, afirma o professor de Educação Física João Carlos Simões.