O Copom (Comitê de Política Monetária) do BC definiu nesta quarta-feira (5) a taxa Selic em 14% ao ano e muitos investidores passaram a se perguntar se este é um bom momento para aplicar no Tesouro Direto.
Mas, antes de escolher um título apenas pela rentabilidade, especialistas alertam que é preciso entender como cada opção funciona e qual delas faz sentido para cada objetivo financeiro.
Ao contrário do que muitos imaginam, o Tesouro Direto não é um investimento específico, mas a plataforma que permite ao investidor comprar títulos públicos emitidos pelo governo federal.
Assim, ao adquirir um título, o investidor está emprestando dinheiro ao governo em troca de uma remuneração, que varia conforme o tipo de papel escolhido.
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2026-08-06 13:05:02Segundo Sharon Halpern, sócia e Private Banker da Blackbird Investimentos, “o mais importante é escolher o título considerando o prazo e o objetivo do investimento, e não apenas a rentabilidade”, explica.
Como começar a investir?
O primeiro passo é abrir uma conta em uma corretora ou banco habilitado a operar o Tesouro Direto. Depois, basta transferir os recursos para a instituição financeira e acessar a plataforma para escolher o título desejado.
Hoje, é possível investir com pouco mais de R$ 30 em alguns títulos do Tesouro Direto, o que faz dos títulos públicos uma das principais portas de entrada para quem está começando a investir.
Entre as principais opções disponíveis, Sharon explica que o Tesouro Selic costuma ser a principal indicação para quem está formando uma reserva de emergência ou pretende utilizar o dinheiro no curto prazo.
Como acompanha a taxa básica de juros da economia, apresenta baixa volatilidade e maior previsibilidade.
Já o Tesouro Prefixado permite ao investidor conhecer a rentabilidade no momento da aplicação. Esse tipo de título ganha destaque quando o mercado espera uma queda dos juros, desde que o investimento seja mantido até o vencimento. Caso o investidor venda antes desse prazo, o preço do título pode variar por causa da marcação a mercado.
Para objetivos de longo prazo, como aposentadoria ou preservação do poder de compra, o Tesouro IPCA+ é uma das alternativas mais utilizadas, já que sua remuneração combina a inflação com uma taxa de juros fixa.
“O Tesouro Prefixado e o Tesouro IPCA+ tendem a se destacar em um ciclo de queda da Selic. Quando os juros caem, títulos emitidos anteriormente com taxas mais altas costumam se valorizar, especialmente os de prazo mais longo”, afirma Sharon.
Já para quem quer focar exclusivamente na reserva de emergência, uma novidade foi o Tesouro Reserva. Ele foi projetado para simplificar a vida de quem busca máxima liquidez e segurança para imprevistos, oferecendo resgate imediato e rentabilidade atrelada à taxa básica de juros, sem a necessidade de escolher prazos de vencimento mais longos.
Há ainda títulos voltados para objetivos específicos. O Tesouro Educa+ foi criado para quem deseja formar uma reserva destinada à educação, enquanto o Tesouro Renda+ busca complementar a renda no futuro por meio de pagamentos periódicos após o vencimento.
Embora sejam considerados investimentos de baixo custo, Halpern relembra que os títulos públicos não são isentos de despesas.
“Os rendimentos estão sujeitos ao Imposto de Renda, cuja alíquota diminui conforme o tempo de aplicação: começa em 22,5% para investimentos de até 180 dias e pode chegar a 15% para aplicações mantidas por mais de dois anos”, destaca.
Também pode haver cobrança da taxa de custódia da B3 em algumas situações, especialmente para investimentos que ultrapassam o limite de isenção vigente.
Selic muda a estratégia?
Quando os juros começam a cair, muitos investidores passam a olhar com mais atenção para títulos prefixados e indexados à inflação, já que eles podem se beneficiar da valorização no mercado antes do vencimento.
Por outro lado, o Tesouro Selic continua desempenhando um papel importante para quem busca liquidez e segurança, embora sua rentabilidade acompanhe o movimento de redução da taxa básica.
Mesmo em um cenário de juros elevados, a especialista recomenda evitar concentrar todo o patrimônio em uma única classe de ativos.
“A renda fixa oferece oportunidades bastante atrativas, mas concentrar toda a carteira em títulos públicos pode limitar o potencial de retorno e aumentar a exposição a riscos específicos. Além disso, a rentabilidade anunciada só é garantida para quem mantém o título até o vencimento. Por isso, o investidor deve olhar para o prazo e para seus objetivos”, afirma.
Resenha do Dinheiro
Realizado com o apoio da B3 e da gestora de investimentos BlackRock, o programa é apresentado por Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb, Thiago Godoy, o “Papai Financeiro” e Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos; e propõe uma abordagem leve, direta e descomplicada sobre temas ligados a educação financeira e investimentos. A atração aborda semanalmente os principais temas da economia com a informalidade de uma conversa entre amigos — sem abrir mão da análise.
A Resenha do Dinheiro vai ao ar todas as sextas-feiras, às 19h, no canal do CNN Money no YouTube e aos domingos, às 15h, na CNN Brasil.