Rubio pede isolamento da Nicarágua após reforma constitucional
Secretário de estado Marco Rubio apelou a parceiros internacionais após reforma que proíbe oposição e estende mandato presidencial de Daniel Ortega
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que os Estados Unidos "apelam aos parceiros internacionais a interromperem imediatamente as operações 'como de costume' com o governo da Nicarágua" em comunicado divulgado nesta quarta-feira (2).
Ele acrescentou que Washington continua comprometida em combater as violações dos direitos humanos cometidas pelo governo.
As declarações de Rubio foram feitas depois que o Congresso da Nicarágua aprovou, na terça-feira (1º), uma reforma constitucional que proíbe os partidos da oposição de participarem das eleições e estende o mandato presidencial de seis para sete anos — uma iniciativa que já havia gerado críticas dos Estados Unidos.
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Juan Sebastián Chamorro, ex-candidato à presidência e opositor do regime do Nicarágua, classificou a reforma eleitoral como "um ato para oficializar duas coisas que [o regime] perdeu: legitimidade e tempo". Chamorro, que está exilado nos Estados Unidos, se pronunciou nas redes sociais.
Dictadura decreta eliminación de elecciones y se receta 7 años más en el poder. Es un acto por oficializar dos cosas que ha perdido: legitimidad y tiempo. La transición democrática es incontenible y ellos lo saben, por eso recurren a una farsa que ni ellos mismos se creen. pic.twitter.com/WvaGcN0uAD
— Juan Sebastián Chamorro (@Jschamorrog) September 2, 2026
Reforma eleitoral
O Congresso da Nicarágua aprovou na terça-feira (1º de setembro) uma reforma constitucional que proíbe partidos de oposição de participarem das eleições e estende o mandato presidencial de seis para sete anos, uma iniciativa que anteriormente havia atraído críticas dos Estados Unidos e de outros países da região.
A reforma, apoiada pelos copresidentes Daniel Ortega e sua esposa Rosario Murillo, passou pela primeira votação na Assembleia Nacional. Murillo anunciou na segunda-feira que a emenda será ratificada em uma segunda votação a partir de 18 de janeiro, já que a lei nicaraguense exige que as alterações constitucionais sejam aprovadas por duas sessões legislativas distintas antes de entrarem em vigor.
A reforma também estende os mandatos dos copresidentes e de outros funcionários eleitos, bem como dos chefes do exército e da polícia, de seis para sete anos.
Em 19 de julho, Ortega declarou publicamente que "não haverá mais eleições" na Nicarágua para impedir que a oposição "tome o governo" novamente.