Rotinas rígidas demais atrapalham longevidade e qualidade de vida
Especialista em bem-estar e longevidade explica que vários tipos de excesso fazem mal, inclusive de exercícios e de preocupação com a própria saúde.
A partir dos anos 2000, o mundo passou por uma virada demográfica marcada pela queda nas taxas de natalidade e pelo aumento da expectativa de vida, acelerando o envelhecimento da população global. Com isso, a longevidade — antes medida por anos duramente conquistados — passou a ser o novo normal.
Com mais pessoas ativas por períodos mais longos, a idade deixa de ser, aos poucos, um critério de exclusão automática, abrindo espaço para uma revisão do etarismo ainda presente nas relações profissionais.
Nesse cenário, vai se formando uma economia “prateada”, que reconhece o potencial produtivo e de consumo da população mais velha.
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2026-09-06 18:11:39Não se trata mais de tomar o remédio na hora certa, mas sim desenvolver uma nova filosofia de vida que engloba prevenção, equilíbrio e escolhas conscientes no dia a dia. Na América Latina, um dos nomes que anteciparam esse novo olhar é o consultor de bem-estar argentino Willie Carballo.
Em entrevista recente à plataforma de saúde LN Bienestar, o representante da histórica Clinique La Prairie de Montreux, na Suíça, afirma que, atualmente, viver muitos anos sem qualidade de vida e sem felicidade não faz sentido — o objetivo deveria ser alcançar o máximo de tempo possível com bem-estar genuíno.
Lembrando que, segundo os cientistas, a genética responde por apenas 25% a 30% da nossa longevidade, Carballo diz que “todo o restante é epigenética, ou seja, a forma como os hábitos e o ambiente influenciam o funcionamento dos nossos genes”.
Por que o rigor extremo não cabe nessa nova lógica de longevidade?
Mas, se é o estilo de vida que realmente faz diferença ao longo do tempo, alerta Carballo, o excesso de controle pode virar fonte de estresse — e isso também impacta negativamente o organismo.
“Comer demais faz mal, exagerar nos exercícios também, e até o excesso de preocupação com a própria saúde pode ser prejudicial”, conclui o consultor.
Carballo não contesta a importância dos hábitos, mas critica sua radicalização, com dietas extremas, rotina inflexível e culpa constante. O perfeccionismo biológico e a ideia de que longevidade depende de otimização total o tempo inteiro podem se tornar fator de desgaste.
A mesma lógica se aplica às famosas metas pessoais. Objetivos grandiosos demais seriam mais difíceis de sustentar a longo prazo, enquanto pequenas metas aumentariam as chances de sucesso contínuo em qualquer hábito relacionado à longevidade, sugere o especialista no assunto.
Como exemplo prático dessa lógica, Carballo cita os estudos sobre as chamadas zonas azuis, regiões com as populações mais longevas do planeta. Segundo ele, “essas pessoas não passam horas na academia três vezes por semana”; apenas caminham regularmente e mantêm contato com a natureza.
Quais pilares sustentam essa nova abordagem da longevidade?
Dentro dessa nova abordagem, Carballo aponta três hábitos centrais para viver mais e melhor. O primeiro é desligar o piloto automático e prestar mais atenção às coisas que você faz, aprendendo a valorizar pequenas experiências sensoriais, como o sabor de um café ou a luz do sol.
Trabalhando há mais de 45 anos com bem-estar, o especialista esclarece que o estresse constante gerado por pensamentos repetitivos sobre trabalho ou finanças desgasta as células e acelera o envelhecimento. Portanto, interromper esse fluxo mental reconecta corpo e mente ao presente.
O segundo hábito — e talvez o mais importante, segundo Carballo — é cultivar vínculos afetivos. De nada adianta tomar os melhores suplementos suíços, comer alimentos orgânicos e praticar yoga, se você estiver sozinho ou cercado de pessoas com quem não mantém relações verdadeiras, diz.
Por fim, o último pilar é manter um hobby ou propósito desligado do trabalho e do dinheiro. “Se não houver uma base construída sobre uma vida com propósito e prazer, a ciência, sozinha, não faz milagres. Ela pode acrescentar anos à vida, mas não necessariamente vida aos anos”, conclui o consultor de bem-estar.