Reposição hormonal na menopausa: Dr. Kalil e convidados detalham indicações
Especialistas explicam quando a terapia com estrogênio é indicada e quais pacientes devem evitá-la ou buscar alternativas
A terapia de reposição hormonal na menopausa possui indicações precisas e também contraindicações importantes que exigem avaliação médica individualizada. As orientações foram dadas pelo ginecologista José Maria Soares Jr. e pela cardiologista Salete Nacif em entrevista ao CNN Sinais Vitais deste sábado (11).
Segundo José Maria Soares Jr., as três principais indicações para a terapia com estrogênio em mulheres na faixa etária entre 45 e 55 anos são:
- Presença de sintomas vasomotores intensos, como ondas de calor, que prejudicam a qualidade de vida;
- Alterações genitais, caracterizadas pela síndrome geniturinária da menopausa, que inclui atrofia da região;
- Predisposição à perda de massa óssea.
Mulheres com histórico de câncer de mama, especialmente aquelas com receptor de estrogênio positivo, não podem realizar a terapia hormonal convencional.
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2026-07-10 17:32:42Para esses casos, o ginecologista destacou que existem alternativas disponíveis, incluindo o uso de psicotrópicos e, mais recentemente, uma substância aprovada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária): o antagonista do receptor da Neurocinina 3.
"Tem o mesmo efeito nas ondas de calor, mas não age na atrofia nem na massa óssea", explicou o especialista.
Mulheres que sofreram infarto ou acidente vascular cerebral (AVC) também não são candidatas à terapia hormonal. Casos de tromboembolismo requerem discussão sobre formas alternativas de administração.
O fator cardiovascular
Salete Nacif explicou que dois fatores principais são considerados na avaliação cardiovascular para a reposição hormonal.
O primeiro é a chamada "janela de oportunidade": mulheres que tiveram a menopausa há menos de 10 anos e que tenham menos de 60 anos de idade são consideradas dentro desse período favorável para a terapia.
O segundo fator é o risco cardiovascular da paciente. "Se a mulher possui baixo risco cardiovascular, ou seja, ela nunca infartou, nunca teve derrame, não teve nenhum evento importante, essa mulher está liberada", afirmou Salete Nacif.
Para pacientes que já apresentam eventos cardiovasculares prévios, a indicação deve ser individualizada.
A cardiologista alertou que, nesses casos, a reposição pode ser neutra ou até prejudicial para os vasos sanguíneos, especialmente quando há aterosclerose já instalada.
"Nessas situações, a gente tem que individualizar a indicação da terapia de reposição hormonal", concluiu a especialista.