Entidades ligadas aos produtores rurais do Reino Unido estão pressionando o governo britânico para ampliar o controle sobre as importações de carne brasileira.
A preocupação é de que uma eventual redução das compras da União Europeia leve exportadores do Brasil a redirecionarem parte dos volumes para o mercado britânico, aumentando a concorrência com a produção local.
O alerta foi feito pela National Farmers Union (NFU), uma das principais organizações de produtores rurais do Reino Unido.
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2026-08-10 11:25:02A entidade afirma que o governo precisa adotar medidas para evitar que uma possível mudança no fluxo comercial europeu provoque pressão adicional sobre os pecuaristas e avicultures.
Em 2025, a União Europeia importou 211 mil toneladas de carne de frango brasileira, segundo os dados citados pela NFU, o que tornou o Brasil o maior fornecedor do bloco. No caso da carne bovina, foram 92 mil toneladas importadas no mesmo ano, incluindo 24 mil toneladas de carne in natura.
Para a entidade britânica, parte desse produto poderia buscar outros destinos caso enfrente restrições no mercado europeu.
“Existe um risco real de que a carne bovina e de frango brasileira originalmente destinada à UE seja desviada para o mercado do Reino Unido, distorcendo o comércio e colocando pressão adicional sobre os produtores domésticos”, afirmou o presidente da NFU, Tom Bradshaw.
Durante o Siavs (Salão Internacional de Proteína Animal), em São Paulo, o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, afirmou que a prioridade do governo é assegurar a continuidade dos embarques das cadeias com ciclo produtivo mais curto, como a avicultura.
“Estamos focados para que os efeitos não possam chegar às cadeias cujo ciclo é menor e, portanto, tenham condições de seguir fornecendo o nosso produto já no início de setembro”, afirmou.
Pressão por auditoria no Brasil
A NFU também quer que o governo britânico endureça os critérios para a entrada de produtos brasileiros de origem animal.
A entidade defende que eventuais restrições não sejam retiradas até que o Department for Environment, Food and Rural Affairs (Defra) realize uma auditoria presencial e abrangente dos sistemas brasileiros de produção e rastreabilidade.
A organização também pede aumento dos testes realizados nos produtos brasileiros nas fronteiras do Reino Unido.
Segundo a NFU, atualmente a fiscalização de resíduos de medicamentos veterinários é limitada. A entidade afirma que apenas 94 amostras de produtos brasileiros foram analisadas para esse tipo de resíduo entre 2023 e 2024.
A pressão ocorre em um momento em que o Brasil busca ampliar e diversificar seus mercados para a carne bovina.
O país passou a ter acesso a novos destinos nos últimos anos e mantém a União Europeia e o Reino Unido como mercados estratégicos pelo valor agregado das exportações.
Ao mesmo tempo, o argumento apresentado pela NFU evidencia a preocupação dos produtores locais com a competitividade da carne importada.
A entidade sustenta que a entrada de produtos brasileiros poderia aumentar a oferta disponível no mercado e pressionar os preços recebidos pelos produtores britânicos.
Além da fiscalização, a NFU defende mudanças na rotulagem. A organização quer informações mais claras sobre o país de origem da carne, especialmente no setor de alimentação fora do lar, para que o consumidor consiga identificar quando está comprando produto britânico ou importado.
“Manter a confiança na carne britânica deve continuar sendo uma prioridade e é por isso que defendemos uma rotulagem clara sobre o país de origem, especialmente no setor de alimentação fora do lar”, disse Bradshaw.