Ricardo de Aquino Salles, 51, é candidato ao Senado por São Paulo pelo Novo nas eleições de 2026. Advogado, nascido na capital paulista em 8 de junho de 1975, ele construiu sua trajetória política ligado à direita e ganhou projeção nacional durante o governo Jair Bolsonaro, quando comandou o Ministério do Meio Ambiente entre 2019 e 2021.
Salles é deputado federal por São Paulo desde 2023. Antes disso, ocupou cargos nos governos de Geraldo Alckmin em São Paulo e foi secretário do Meio Ambiente do estado. Também fundou o Movimento Endireita Brasil, grupo criado para organizar a atuação de setores da direita no início dos anos 2000.
Na eleição deste ano, Salles concorre com o número 300. Seu registro de candidatura está deferido pela Justiça Eleitoral. Ele declarou R$ 9,05 milhões em bens, distribuídos entre uma casa em São Paulo, um imóvel rural no interior paulista e um imóvel rural em Portugal.
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2026-09-16 18:47:05A entrada de Salles na política ocorreu antes de ocupar cargos públicos. Em 2006, ele fundou o Movimento Endireita Brasil e passou a participar de debates e manifestações ligadas à direita. Naquele mesmo ano, candidatou-se a deputado federal pelo então PFL em São Paulo, mas não foi eleito. Em 2010, disputou uma vaga de deputado estadual pelo DEM e novamente não conseguiu se eleger.
Em 2012, Salles esteve entre os autores de um pedido de impeachment contra o então ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli. O pedido não prosperou.
A primeira experiência em um cargo público veio em 2013, quando Salles passou a ser secretário particular de Geraldo Alckmin, então governador de São Paulo. O advogado permaneceu na função até 2014 e retornou ao governo paulista em 2016, desta vez como secretário do Meio Ambiente, cargo que ocupou até 2017.
Passagem pelo Ministério do Meio Ambiente
A projeção nacional veio em 2019, quando Salles foi escolhido por Bolsonaro para comandar o Ministério do Meio Ambiente. Ele permaneceu no cargo até junho de 2021.
Sua gestão foi marcada por uma defesa de medidas de desburocratização e por conflitos com setores ligados à política ambiental. Um dos episódios mais conhecidos ocorreu em abril de 2020, durante uma reunião ministerial. Ao comentar a atenção da imprensa concentrada na pandemia de Covid-19, Salles afirmou que era preciso aproveitar o momento para “ir passando a boiada e simplificando normas“.
A declaração passou a ser associada à discussão sobre flexibilização de regras ambientais durante sua gestão. O episódio também deu origem a uma investigação. Anos depois, o caso foi reaberto e passou a integrar uma ação penal relacionada a acusações de facilitação de contrabando de produtos florestais, advocacia administrativa e obstrução da fiscalização ambiental. As acusações são objeto de processo judicial e não devem ser tratadas como condenação.
Outro episódio controverso envolveu o Fundo Amazônia, mecanismo destinado ao financiamento de ações de prevenção e combate ao desmatamento. Durante a gestão de Salles, o governo federal alterou a estrutura de governança do fundo e houve interrupção de novos projetos. Em 2022, o STF determinou a adoção de medidas para reativá-lo e considerou inconstitucionais os atos que haviam impedido a continuidade dos financiamentos.
Salles também esteve no centro de uma investigação relacionada à Operação Handroanthus, da Polícia Federal, que apurou a comercialização de madeira extraída ilegalmente da Amazônia. O STF chegou a instaurar inquérito contra o então ministro por suspeitas de advocacia administrativa, dificuldade à fiscalização ambiental e embaraço de investigação. A investigação posteriormente deixou o Supremo após a saída de Salles do ministério.
Ainda durante sua gestão, o Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente), então presidido por Salles, aprovou a revogação de normas que estabeleciam parâmetros de proteção para áreas como manguezais e restingas. O STF posteriormente suspendeu os efeitos dessas alterações e, no julgamento das ações, manteve o restabelecimento das normas de proteção.