Quem é Mariângela Fialek, a suposta "operadora" do orçamento secreto
Conhecida como "Tuca", servidora pública é apontada como "consultora, facilitadora e implementadora" das demandas repassadas pelo-ex-deputado federal Eduardo Cunha
O ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou o bloqueio de R$ 6,1 milhões do ex-deputado federal Eduardo Cunha (Republicanos-MG), por suspeita de desvio de emendas parlamentares. A decisão, tornada pública neste domingo (12), aponta que a servidora pública Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, desempenhava o papel de "consultora, facilitadora e implementadora" das demandas repassadas por Cunha.
Mariângela está envolvida em outras duas investigações que miram o chamado "orçamento secreto" do Congresso: uma que apura o envolvimento do presidente do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto, deflagrada nesta semana; e outra ação executada pela PF (Polícia Federal) em dezembro de 2025, no âmbito da Operação Transparência, que mirou o deputado Arthur Lira (PP-AL), do qual a investigada é ex-assessora.
"Fialek dominava procedimentos, sistemas e fluxos administrativos essenciais ao fracionamento, remanejamento e justificativa formal das emendas, o que lhe conferia capacidade concreta de materializar decisões tomadas fora do processo parlamentar regular", aponta o documento que autoriza a operação.
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2026-07-12 11:25:12Conhecida entre os investigados como "Tuca", Mariângela trabalha na Câmara dos Deputados há aproximados seis anos e desempenhava funções na organização técnica do orçamento. Em dezembro de 2025, foram realizadas buscas na casa e no local de trabalho da servidora, que teve seu celular examinado pela PF.
"O material examinado apresenta indícios robustos de peculato-desvio praticado por servidora com domínio da etapa interna de alocação de emendas, em concurso com terceiro não detentor de cargo público, que teria induzido e dirigido o resultado, valendo-se de sua influência partidária", diz a nova decisão.
Mariângela, 51, nasceu em União da Vitória (PR), é advogada formada pela PUC/RS e mestra em Direito do Estado pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Segundo apontou sua defesa, ela integrou o Poder Executivo por quase uma década, tendo inclusive desempenhado a função de Assessoria na Subchefia de Assuntos Jurídicos da Casa Civil no Governo Lula, no ano de 2003. Também ocupou a Subchefia de Assuntos Parlamentares no Governo Temer e foi assessora parlamentar do Ministério de Desenvolvimento Regional no governo Bolsonaro. A servidora ainda trabalhou no Senado da República por 10 anos, desempenhando a função de assessoria jurídica da Liderança dos Governos Lula e Dilma.
Em nota na sexta-feira (10), a defesa de Mariângela Fialek afirmou que a sua atuação era "estritamente técnica, apartidária e impessoal" e destacou que não se atribui à servidora "a prática de nenhuma irregularidade funcional ou criminal". O ex-deputado Eduardo Cunha foi procurado neste domingo (12), mas ainda não se manifestou.
Veja abaixo a lista de cidades para onde foram destinadas as emendas atribuídas a Cunha: