Quem é Dr. Daniel Santos, candidato ao governo do Pará
Ex-prefeito de Ananindeua deixou o PSB para concorrer ao Executivo paraense pelo Podemos
O estado do Pará conta com 6,2 milhões de eleitores que irão escolher um governador entre os oito concorrentes neste ano. Um desses nomes é o de Dr. Daniel Santos (Podemos), ex-prefeito de Ananindeua, localizada na região metropolitana de Belém.
Daniel Barbosa Santos tem 40 anos e nasceu na cidade de Açailândia, no Maranhão, mas aos 3 anos se mudou com a família para o Pará. É formado em Medicina pela UEPA (Universidade do Estado do Pará), com especialização nas áreas de ginecologia e obstetrícia.
O médico entrou no mundo da política em 2012, quando foi eleito vereador de Ananindeua pelo PSDB (Partido Social da Democracia Brasileira). Em 2016, o político foi reeleito ao cargo e assumiu a presidência da Câmara Municipal.
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2026-09-21 23:28:12No meio de seu mandato de vereador, em 2018, Daniel foi eleito deputado estadual e, ao assumir o posto, também foi escolhido como presidente da Alepa (Assembleia Legislativa do estado do Pará). Já em 2020, ele migrou do PSDB para o MDB (Movimento Democrático Brasileiro) e foi eleito prefeito de Ananindeua durante o primeiro turno, com 67,7% dos votos.
No último ano de seu mandato à frente da Prefeitura de Ananindeua, em 2024, o político se filiou ao PSB (Partido Socialista Brasileiro) e foi reeleito ao posto no Executivo municipal. Daniel ficou no cargo até o início deste ano, quando renunciou para concorrer ao governo.
Para o pleito deste ano, o ex-prefeito se juntou ao Podemos e lançou a candidatura oficialmente em 4 de agosto, durante a convenção estadual do partido. Com Ellayne de Almeida (PL) como vice, a chapa faz parte da coalização O Pará é do Povo, composta por PL (Partido Liberal), Novo, DC (Democracia Cristã), Solidariedade e PRD (Partido Renovação Democrática).
Representando a oposição no estado, o político disputará o governo com apoio do senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Propostas
Devido também à sua formação, Daniel aponta a saúde como um dos pilares da campanha para o governo do Pará. O candidato defende um modelo de atendimento que supra às necessidades do estado, principalmente pela sua extensão geográfica, com quilômetros de rios e áreas de floresta que podem dificultar o alcance a algumas populações.
Outros tópicos abordados no plano de governo do candidato são desenvolvimento econômico, educação, segurança pública, infraestrutura, desenvolvimento humano e cultural, além de um foco na Amazônia, através de um desenvolvimento financeiro somado à preservação do bioma.
"Nossa visão parte de um princípio simples: a floresta precisa gerar benefícios concretos para quem vive nela", diz o plano de governo do candidato.
Ainda no documento apresentado pelo candidato ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), também consta um capítulo intitulado "Pará 2030", que apresenta uma abordagem focada no desenvolvimento a médio e longo prazo, com impactos para a próxima década. Segundo ele, o plano buscará tornar o estado conhecido pela qualidade de vida da população, serviços públicos e economia forte.
"Nossa visão para 2030 é a de um Pará que tenha deixado de ser conhecido apenas pela grandeza de seu território e pela riqueza de seus recursos naturais para ser reconhecido, sobretudo, pela qualidade de vida de sua população, pela excelência de seus serviços públicos e pela força de sua economia", diz um trecho do plano.
Operação Hades
Em agosto de 2025, Dr. Daniel Santos foi alvo da Operação Hades, deflagrada pelo MPPA (Ministério Público do Estado do Pará) e que investigava um esquema de corrupção envolvendo o então prefeito de Ananindeua.
A ação resultou no afastamento cautelar do gestor, após decisão do TJ-PA (Tribunal de Justiça do Pará), com base em indícios de fraudes em licitações, lavagem de dinheiro e tentativa de interferência nas investigações.
Foram cumpridos mandados de busca e apreensão simultaneamente na Região Metropolitana de Belém, em municípios do interior e fora do estado. Entre os bens apreendidos pela força-tarefa estavam 16 relógios de luxo avaliados em mais de R$ 3 milhões.
A decisão judicial de afastar o prefeito teve como base não apenas os indícios de corrupção, mas também provas de coação de testemunhas e uso indevido do poder econômico para tentar atrapalhar o curso das investigações. Transferências financeiras suspeitas também foram mapeadas durante a apuração.
À época, o prefeito classificou a operação como perseguição política: "Pediram meu afastamento baseado em uma história mentirosa, sem ao menos me dar oportunidade de me defender".
*Sob supervisão de João Ker