Protesto bloqueia porto após chegada de imigrantes no Reino Unido

Manifestantes em Portsmouth, na costa sul da Inglaterra, reagiram a chegada de 140 imigrantes que atravessaram o Canal da Mancha rumo a Inglaterra

Protesto bloqueia porto após chegada de imigrantes no Reino Unido
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Veículos da polícia e do Ministério do Interior danificados, além de uma pilha de coletes salva-vidas, foram deixados para trás no terminal de balsas de Eastney, em Portsmouth, nesta segunda-feira (7), depois que centenas de manifestantes bloquearam ruas na noite de domingo (6) para impedir a passagem de migrantes que chegavam em pequenas embarcações vindas da França.

O ato foi a segunda manifestação anti-imigração em dois dias, após homens mascarados interromperem o tráfego no porto de Dover no sábado (5) gritando “Parem os barcos” — uma referência às embarcações que transportam requerentes de asilo através do Canal da Mancha.

Os manifestantes, que atendiam a convocações de grupos de direita — os quais, segundo se acredita, utilizam aplicativos de mensagens como Signal e Telegram —, reagiam à chegada de 140 migrantes que haviam atravessado o canal rumo à Inglaterra.

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“As pessoas têm o direito de realizar protestos pacíficos. Aquelas que não querem a entrada ilegal de pessoas no Reino Unido têm o direito de protestar. E, em grande parte, a manifestação da noite passada foi pacífica. No entanto, havia pessoas usando balaclavas, o que gera medo e preocupação”, disse Donna Jones, comissária de Polícia e Criminalidade de Hampshire.

A polícia britânica entrou em confronto com manifestantes anti-imigrantes em Portsmouth (06.09.26) • REUTERS

Sucessivos governos britânicos têm enfrentado acusações, por parte de partidos de oposição e ativistas anti-imigração, de não conseguirem conter o número de requerentes de asilo que chegam ao Reino Unido, muitas vezes em botes infláveis ​​superlotados.

A chegada de pequenas embarcações a Portsmouth representa uma mudança em relação à rota habitual desses botes.

“Sim, é extremamente incomum que uma embarcação desse tipo chegue a Portsmouth; nunca vimos isso antes. Como comissária de Polícia e Criminalidade, estou preocupada com a possibilidade de essa ser a nova rota escolhida por traficantes de pessoas para evitar os procedimentos de triagem que ocorrem quando elas desembarcam em Dover”, completou a comissária.

Migrantes tentam cruzar Canal da Mancha sob reforço de patrulha da UE

Dezenas de migrantes embarcaram em botes infláveis ​​na madrugada do domingo (6) na tentativa de atravessar o Canal da Mancha e chegar ao Reino Unido.

Policiais franceses, tanto a pé quanto em barcos de patrulha, monitoraram as atividades, com uma lancha tentando impedir a partida dos botes.

Várias embarcações conseguiram deixar a costa francesa, embora dezenas de migrantes tenham permanecido na praia após não conseguirem embarcar.

A agência de fronteiras da UE (União Europeia) informou na sexta-feira (4) que enviaria barcos ao Canal da Mancha e ao Mar do Norte para ajudar nas buscas e no resgate de migrantes, dias após líderes da França e do Reino Unido se reunirem para discutir a questão migratória.

A agência Frontex enviará dois barcos espanhóis entre setembro e outubro, e posteriormente um da Lituânia até janeiro, para se juntarem às patrulhas francesas, segundo autoridades que administram a região.

Canal da Mancha é uma das rotas marítimas mais movimentadas do mundo, e muitos migrantes morreram em suas fortes correntes ao tentar atravessar da França para o Reino Unido.

Traficantes de pessoas frequentemente sobrecarregam os botes, deixando-os mal conseguindo flutuar.

Em agosto, a guarda costeira francesa teve de resgatar 157 pessoas de um barco que pegou fogo.

A migração é uma das questões políticas mais divisivas da Europa, inclusive no Reino Unido, onde o Partido Trabalhista (no poder) enfrenta o desafio do Partido Populista Reform UK, que prometeu impedir a chegada de migrantes em barcos.

O Reino Unido anunciou em abril que pagaria à França até 660 milhões de libras (aproximadamente quatro bilhões e meio de reais) no âmbito de um acordo de segurança de fronteira de três anos para conter as travessias ilegais de migrantes pelo Canal, com parte do financiamento condicionada a resultados.

No ano passado, ambos os países concordaram com um projeto-piloto de “um entra, um sai”, pelo qual a França aceitaria o retorno de pessoas sem documentos que chegassem ao Reino Unido em pequenos barcos, em troca de aceitarem um número igual de requerentes de asilo legítimos com laços familiares no país.



Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/protestos-anti-imigracao-reino-unido/