Veículos da polícia e do Ministério do Interior danificados, além de uma pilha de coletes salva-vidas, foram deixados para trás no terminal de balsas de Eastney, em Portsmouth, nesta segunda-feira (7), depois que centenas de manifestantes bloquearam ruas na noite de domingo (6) para impedir a passagem de migrantes que chegavam em pequenas embarcações vindas da França.
O ato foi a segunda manifestação anti-imigração em dois dias, após homens mascarados interromperem o tráfego no porto de Dover no sábado (5) gritando “Parem os barcos” — uma referência às embarcações que transportam requerentes de asilo através do Canal da Mancha.
Os manifestantes, que atendiam a convocações de grupos de direita — os quais, segundo se acredita, utilizam aplicativos de mensagens como Signal e Telegram —, reagiam à chegada de 140 migrantes que haviam atravessado o canal rumo à Inglaterra.
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2026-09-07 10:03:07“As pessoas têm o direito de realizar protestos pacíficos. Aquelas que não querem a entrada ilegal de pessoas no Reino Unido têm o direito de protestar. E, em grande parte, a manifestação da noite passada foi pacífica. No entanto, havia pessoas usando balaclavas, o que gera medo e preocupação”, disse Donna Jones, comissária de Polícia e Criminalidade de Hampshire.
Sucessivos governos britânicos têm enfrentado acusações, por parte de partidos de oposição e ativistas anti-imigração, de não conseguirem conter o número de requerentes de asilo que chegam ao Reino Unido, muitas vezes em botes infláveis superlotados.
A chegada de pequenas embarcações a Portsmouth representa uma mudança em relação à rota habitual desses botes.
“Sim, é extremamente incomum que uma embarcação desse tipo chegue a Portsmouth; nunca vimos isso antes. Como comissária de Polícia e Criminalidade, estou preocupada com a possibilidade de essa ser a nova rota escolhida por traficantes de pessoas para evitar os procedimentos de triagem que ocorrem quando elas desembarcam em Dover”, completou a comissária.
Migrantes tentam cruzar Canal da Mancha sob reforço de patrulha da UE
Dezenas de migrantes embarcaram em botes infláveis na madrugada do domingo (6) na tentativa de atravessar o Canal da Mancha e chegar ao Reino Unido.
Policiais franceses, tanto a pé quanto em barcos de patrulha, monitoraram as atividades, com uma lancha tentando impedir a partida dos botes.
Várias embarcações conseguiram deixar a costa francesa, embora dezenas de migrantes tenham permanecido na praia após não conseguirem embarcar.
A agência de fronteiras da UE (União Europeia) informou na sexta-feira (4) que enviaria barcos ao Canal da Mancha e ao Mar do Norte para ajudar nas buscas e no resgate de migrantes, dias após líderes da França e do Reino Unido se reunirem para discutir a questão migratória.
A agência Frontex enviará dois barcos espanhóis entre setembro e outubro, e posteriormente um da Lituânia até janeiro, para se juntarem às patrulhas francesas, segundo autoridades que administram a região.
O Canal da Mancha é uma das rotas marítimas mais movimentadas do mundo, e muitos migrantes morreram em suas fortes correntes ao tentar atravessar da França para o Reino Unido.
Traficantes de pessoas frequentemente sobrecarregam os botes, deixando-os mal conseguindo flutuar.
Em agosto, a guarda costeira francesa teve de resgatar 157 pessoas de um barco que pegou fogo.
A migração é uma das questões políticas mais divisivas da Europa, inclusive no Reino Unido, onde o Partido Trabalhista (no poder) enfrenta o desafio do Partido Populista Reform UK, que prometeu impedir a chegada de migrantes em barcos.
O Reino Unido anunciou em abril que pagaria à França até 660 milhões de libras (aproximadamente quatro bilhões e meio de reais) no âmbito de um acordo de segurança de fronteira de três anos para conter as travessias ilegais de migrantes pelo Canal, com parte do financiamento condicionada a resultados.
No ano passado, ambos os países concordaram com um projeto-piloto de “um entra, um sai”, pelo qual a França aceitaria o retorno de pessoas sem documentos que chegassem ao Reino Unido em pequenos barcos, em troca de aceitarem um número igual de requerentes de asilo legítimos com laços familiares no país.