Professor universitário superdotado relata desafios: “Alta expectativa”

Klaus Leite afirma que quem convive com a condição enfrenta cobranças para "ser sempre o melhor"

Professor universitário superdotado relata desafios: “Alta expectativa”
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Foi quando aprendeu a ler sozinho aos três anos que a família de Klaus Leite Pinto Vasconcellos, 66, hoje professor universitário, percebeu que ele poderia ser um superdotado.

Comemorado nesta semana, o Dia Internacional da Superdotação busca conscientizar sobre o tema, cercado de estigmas e mitos. Klaus atualmente é professor titular do Departamento de Estatística da Universidade Federal de Pernambuco.

Na infância e na adolescência, ele passava boa parte do tempo lendo e estudando por não gostar de atividades físicas e se considerar desajeitado. A trajetória escolar foi excepcionalmente boa.

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“Eu mesmo provoquei essa solidão. Com uma capacidade intelectual grande, passei a estudar e ler com uma frequência muito maior do que a normal, e isso fez com que eu mesmo me afastasse”, conta à CNN Brasil.

Raramente precisava estudar para as provas de física, geografia, história, português ou matemática, área em que quis seguir carreira. A dificuldade no colégio era a química orgânica, que detestava.

“Era meu calcanhar de Aquiles por causa da decoreba sem fim, mas todo o resto eu gostava e me dava muito bem”, relembra ele.

O Censo Escolar 2025, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, contabilizou cerca de 56 mil crianças e adolescentes com altas habilidades ou superdotação matriculados na educação básica. Em 2024, eram pouco mais de 44 mil.

Pressão com altas expectativas

Ter com quem contar é uma dica de Klaus para os superdotados, que podem sofrer com falta de reconhecimento e desafios, estímulos adequados,  dificuldade de identificação e a pressão social.

De acordo com o professor, quem vive com a superdotação costuma carregar o peso de ter que saber tudo e ser sempre o melhor. Pior: surge até a dúvida incômoda se o carinho dos outros não é em decorrência apenas da inteligência.

“Só esperam de você o máximo”, diz. “O que ajuda se você tiver uma qualidade excepcional é ter com quem conversar a respeito. Ou, de forma geral, ter com quem interagir. Tive a sorte de que meus pais eram pessoas bem informadas. É importante você procurar pessoas com quem possa interagir e descobrir que você não é nenhum ser superior aos outros e que existem pessoas que podem interagir com você. Isso é muito importante, particularmente na adolescência.”

Paixão pela matemática

Desde criança, Klaus queria estudar a disciplina e seguir carreira na área, mas foi impedido pela mãe, preocupada com as possibilidades profissionais e financeiras.

A alternativa foi se formar em Engenharia Elétrica e fazer pós-graduação em Estatística Matemática. Foi assim que se tornou professor universitário em 1995, no Recife.

“Minha vocação era ser matemático. Minha mãe me proibiu de fazer porque eu acabaria ganhando salário de professor de universidade. Ela tinha aquela mentalidade conservadora de que eu nunca ia ter sucesso na vida. De certa forma, as coisas acabaram acontecendo como tinham que acontecer”, afirma.

“Aprendi muita coisa dando aula. Gosto de ser considerado excelente professor, todos os alunos dizem que eu me destaco didaticamente. Gosto de dar aula, sou professor nato. Meu melhor legado atualmente é meu livro publicado pela Sociedade Brasileira de Matemática. Estou quase me aposentando, mas ainda quero contribuir, aprender e trabalhar.”

Dentro da comunidade estatística, Klaus passou a ganhar reconhecimento pela forte formação matemática e pela facilidade em aprender assuntos novos e complexos.

“Se me disserem que preciso estudar Geometria Algébrica para ensinar a disciplina em 2028, minha resposta será: claro, me dê as referências. No final de 2027, vocês terão um professor de Geometria Algébrica”, conta.

 

 

 



Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/educacao/professor-universitario-superdotado-relata-desafios-alta-expectativa/