Possível bolha de IA abre debate sobre ações de tecnologia
Movimentos de Michael Burry chamam atenção do mercado, mas especialistas ponderam que preços elevados, por si só, não indicam uma queda iminente
O investidor Michael Burry, conhecido por prever e lucrar com a crise do subprime em 2008, ampliou suas apostas na queda de empresas ligadas a inteligência artificial e tecnologia, como Nvidia e SpaceX.
A estratégia partiu da convicção de uma possível bolha no setor, impulsionada pela forte valorização dessas companhias nos últimos meses.
Para Bernardo Pascowitch, apresentador da Resenha do Dinheiro, o posicionamento de Burry naturalmente desperta interesse entre investidores, mas não deve ser interpretado como um sinal definitivo de que uma correção está próxima.
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2026-07-12 15:04:54"Quando ele fala, o mercado presta atenção. Mas, desde 2008, ele fez outras apostas semelhantes que não se concretizaram. Isso reforça que as ações podem estar esticadas, mas não significa, por si só, que uma queda seja inevitável", avalia.
Além disso, Thiago Godoy pondera que a comparação com a bolha das empresas de internet no fim dos anos 1990 ajuda a entender por que parte do mercado tem adotado uma postura mais cautelosa.
"Entre 1995 e 2000, o índice das empresas ‘ponto com’ acumulou uma valorização de cerca de 400%. Quando muitas delas não conseguiram gerar caixa, o mercado despencou quase 80% em pouco mais de um ano. É esse tipo de movimento que caracteriza uma bolha. O investidor não deve tentar adivinhar quando ela vai estourar e concentrar toda a aposta em um único cenário, pois esse tipo de operação envolve riscos muito elevados", explica.
Pascowitch também alerta para os riscos das chamadas posições vendidas, estratégia utilizada por Michael Burry para lucrar com a desvalorização de ativos.
"Quando você aposta na queda de um ativo, está fazendo uma operação muito mais difícil de acertar. Além de ser mais arriscada, ela oferece um potencial de retorno mais limitado do que investir em um movimento de alta", analisa.
Na visão de Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos, a preocupação sobre os preços elevados das ações de tecnologia não parte apenas de Burry. Outros grandes gestores também vêm demonstrando incertezas com o nível das avaliações no mercado americano.
"Outros grandes investidores, como Stanley Druckenmiller, também têm chamado atenção para esse cenário. O próprio Warren Buffett mantém hoje um dos maiores níveis de caixa da sua história porque considera muitas ações caras e prefere esperar oportunidades mais atrativas", diz.
Apesar disso, Fontes ressalta que preços elevados não significam, necessariamente, que uma correção ocorrerá no curto prazo.
"Isso não quer dizer que as ações vão cair apenas porque estão caras. Mas mostra que o risco aumentou. Para quem faz uma gestão mais ativa da carteira, talvez seja um momento de reduzir um pouco a exposição à bolsa americana. Já quem investe pensando exclusivamente no longo prazo e mantém aportes constantes pode seguir sua estratégia sem tentar antecipar os movimentos do mercado", complementa.
Resenha do Dinheiro
Realizado com o apoio da B3 e da gestora de investimentos BlackRock, o programa é apresentado por Thiago Godoy, o “Papai Financeiro”, Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos; Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb e propõe uma abordagem leve, direta e descomplicada sobre temas ligados a educação financeira e investimentos. A atração aborda semanalmente os principais temas da economia com a informalidade de uma conversa entre amigos — sem abrir mão da análise.
A Resenha do Dinheiro vai ao ar todas as sextas-feiras, às 19h, no canal do CNN Money no YouTube e aos domingos, às 15h, na CNN Brasil.