O mercado pecuário dos Estados Unidos deve continuar enfrentando uma oferta limitada de bovinos nos próximos anos, em um cenário que pode ampliar a necessidade de importação de carne pelo país e abrir espaço para fornecedores como o Brasil. A avaliação foi apresentada durante o 6º Fórum Pecuária Datagro, em São Paulo.
Segundo Guilherme Jank, analista da consultoria, apesar de o rebanho americano ter apresentado uma estabilização, a recomposição da oferta deve ser lenta. O analista destacou que a dinâmica da pecuária trabalha com uma defasagem de dois a três anos entre as decisões tomadas pelos produtores e os efeitos sobre a oferta de animais.
“Se a gente está falando de dois a três anos, o americano vai seguir deficitário por mais dois a três anos”, afirmou.
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2026-09-16 15:50:20Na avaliação da Datagro, a reabertura da importação de gado do México também reduz o incentivo para a expansão da produção doméstica americana. Com maior disponibilidade de animais vindos de fora, o produtor local teria menos estímulo para recompor o rebanho.
Ao mesmo tempo, a carne bovina americana permanece com demanda firme, enquanto a oferta doméstica encontra limitações. Esse desequilíbrio pode aumentar a participação das importações no abastecimento do mercado.
Jank também destacou que os preços do boi nos Estados Unidos já vinham recuando há alguns meses. Segundo ele, o movimento está relacionado, entre outros fatores, aos problemas de demanda e à retomada da entrada de gado mexicano.
Brasil pode ganhar espaço
Nesse cenário, o Brasil aparece como um dos potenciais fornecedores para o mercado americano. Segundo a apresentação, a carne brasileira estaria sendo negociada em patamar próximo de U$ 7 por quilo no segmento citado pelos analistas.
A diferença de preços cria espaço para o produto brasileiro, utilizado principalmente na composição de carne moída. O Líder da Área de Pecuaria da Datagro, João Figueiredo ressaltou, porém, que esse mercado possui características diferentes da China. “Não é uma operação de alto valor agregado, evita o excesso de volume aqui dentro, não agrega valor como a China, é um perfil diferente, mas é fundamento relevante de suporte aqui para nós”, afirmou.
A Datagro avalia ainda que os Estados Unidos podem deixar de ser apenas um destino pontual e se transformar em um mercado estrutural para a carne brasileira, caso o déficit de oferta americano persista.