Ativistas da oposição da Nicarágua que estão no exílio afirmaram que a decisão de Daniel Ortega, líder do país, de não realizar eleições confirma o que dizem ser intenção de permanecer no poder indefinidamente e proteger seu governo de qualquer responsabilização.
Essas declarações foram feitas após anos de repressão crescente na Nicarágua, onde Ortega e sua esposa, a vice-presidente Rosario Murillo, intensificaram o controle sobre as instituições estatais, o Judiciário, o Legislativo, o sistema eleitoral e a sociedade civil.
Desde os protestos antigovernamentais em massa de 2018, centenas de opositores, ativistas, jornalistas, integrantes do clero e líderes cívicos foram presos, forçados ao exílio ou tiveram sua nacionalidade retirada, segundo grupos de direitos humanos e organismos internacionais.
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“Pelo contrário: eles tentam — ou desejam — perpetuar-se no poder, pois a intenção subjacente é justamente garantir essa transição; não uma transição democrática, mas uma transição familiar, uma transição dinástica”, comentou.
O ex-candidato à presidência Felix Maradiaga afirmou que a medida de Ortega refletia medo, e não estabilidade.
Ele argumentou que a decisão sugeria incerteza dentro do círculo governista sobre se uma sucessão familiar envolvendo Murillo e Laureano Ortega, filho do casal, teria apoio suficiente das Forças Armadas e das fileiras sandinistas.
As críticas ocorrem em meio à preocupação contínua com a violência e a repressão contra dissidentes nicaraguenses.
Roberto Samcam, ex-comandante rebelde sandinista e oficial militar nicaraguense que se tornou um crítico declarado do governo Ortega no exílio, foi assassinado na Costa Rica em 19 de junho de 2025.
Grupos de direitos humanos também denunciaram o caso de Brooklyn Rivera, ex-deputado da Assembleia Nacional da Nicarágua e histórico líder indígena Miskito.
Rivera morreu sob custódia do Estado em maio de 2026, depois que o governo Ortega-Murillo manteve seu paradeiro oculto desde seu desaparecimento forçado em setembro de 2023, segundo a Comissão Interamericana de Direitos Humanos.