Parlamentares da oposição acionaram a PGR (Procuradoria Geral da República) contra o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, após o chanceler faltar a uma audiência pública na Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (15).
No documento, os deputados afirmam que o chefe do Itamaraty pode ter cometido um possível crime de responsabilidade ao não comparecer à sessão marcada para as 10h desta quarta.
O argumento da ação menciona o caráter de “convocado” do ministro, com requerimento aprovado pela Comissão de Relações Exteriores no último dia 8 de julho. Pelo regimento da Casa, Vieira tinha a obrigação legal de comparecer à sessão.
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2026-07-15 19:24:00A razão da falta, segundo o Itamaraty, foi a reunião que o ministro teve com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para tratar da nova imposição de tarifas de 25% a produtos brasileiros por parte do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
De acordo com o ministério, houve um pedido de adiamento da sessão para o período de 11 a 14 de agosto, porém a presidência da Comissão de Relações Exteriores da Câmara decidiu manter a data para o encerramento do período de negociação das tarifas com o governo dos EUA.
Convocação de Vieira
A comissão aprovou convocar o chanceler Mauro Vieira para prestar esclarecimentos sobre o documento em que o ministro mencionou a possibilidade de ações militares dos Estados Unidos contra o Brasil.
Há cerca de duas semanas, o Itamaraty respondeu questionamentos da Câmara sobre a decisão dos EUA de classificar as facções PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas. Em ofício, assinado por Vieira, a pasta alertou para o risco de implicações para cidadãos brasileiros e para a possibilidade de ações militares dos EUA no Brasil.
O ofício do chanceler brasileiro também argumenta que a classificação “não trará benefícios concretos para a cooperação internacional entre EUA e Brasil no enfrentamento do crime organizado”.
O pedido de convocação aprovado foi apresentado pelo deputado Evair de Melo (Republicanos-ES). Ele também foi o autor do requerimento de informações enviado ao Itamaraty sobre a classificação de organizações criminosas como grupos terroristas. O parlamentar ironizou e considerou como “precária e frágil” a resposta apresentada pelo Ministério das Relações Exteriores.
O governo dos EUA também se manifestou sobre o assunto e classificou como “absurda” a hipótese levantada pelo Itamaraty de ação militar americana no Brasil.
*Sob supervisão de João Ker