O Grande Debate: Eleição sobrepôs diplomacia em discussão de tarifaço?

Governo brasileiro analisa uso da Lei da Reciprocidade após EUA taxarem exportações brasileiras em 25%; comentaristas avaliam atuação do governo

O Grande Debate: Eleição sobrepôs diplomacia em discussão de tarifaço?
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O Grande Debate: Eleição sobrepôs diplomacia em discussão de tarifaço?

Governo brasileiro analisa uso da Lei da Reciprocidade após EUA taxarem exportações brasileiras em 25%; comentaristas avaliam atuação do governo

O empresário Leonardo Bortoletto e o comentarista da CNN José Eduardo Cardozo debateram, na quinta-feira (16), em O Grande Debate (de segunda a sexta-feira, às 23h), sobre se a "eleição sobrepôs a diplomacia em meio a possível retaliação ao tarifaço dos Estados Unidos".

O governo brasileiro estuda acionar a Lei da Reciprocidade contra os Estados Unidos, após a decisão americana de taxar algumas exportações brasileiras em 25%. O movimento gerou debate sobre os limites entre diplomacia, soberania nacional e interesses eleitorais.

Pix e soberania no centro do debate

Para José Eduardo Cardozo, a iniciativa norte-americana teve origem em motivações políticas, sem sustentação econômica. "A primeira iniciativa de Donald Trump em relação às tarifas do Brasil foi, obviamente, uma iniciativa de natureza política, sem nenhuma sustentação econômica", afirmou.

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Segundo ele, a própria manifestação de Donald Trump deixou claro que a medida estava ligada ao tratamento dado pelo Judiciário brasileiro a Jair Bolsonaro (PL), aliado político do presidente americano.

Cardozo destacou que um dos pretextos utilizados pelos Estados Unidos foi o sistema de pagamentos Pix, que, segundo ele, reduziu a movimentação de cartões de crédito de empresas norte-americanas no Brasil.

"As empresas norte-americanas de cartão de crédito perdem dinheiro com o Pix", declarou, questionando se o Brasil deveria abrir mão de conquistas próprias para atender aos interesses americanos.

Para ele, a postura do governo brasileiro foi altiva e correta diante de intromissões indevidas. "Nós temos que usar, sim, a Lei da Reciprocidade", defendeu, acrescentando que "bateu num país soberano, o país soberano tem que ver também seletivamente onde bate para machucar os Estados Unidos".

Críticas à condução das negociações

Já Leonardo Bortoletto adotou uma posição mais crítica em relação à condução das negociações. Para o empresário, a questão eleitoral contaminou as tratativas dos dois lados, prejudicando o diálogo técnico.

"Obviamente, a questão eleitoral entrou na pauta, sobrepôs as negociações, sobrepôs a diplomacia, sobrepôs a tudo aquilo que é razoável em uma negociação internacional", afirmou. Ele ressaltou que, embora a tarifa tenha recuado de 50% para 25%, não há motivo para comemoração, pois setores importantes ainda foram penalizados.

Bortoletto argumentou que o Brasil errou ao não compreender adequadamente o ambiente da negociação e ao permitir que disputas ideológicas dominassem a mesa de diálogo. "Nós erramos porque não entendemos o oponente, porque não entendemos a mesa em que estávamos sentados e permitimos que esse tipo de assunto entrasse na mesa", disse.

O empresário também atribuiu parte das isenções obtidas à atuação da diplomacia empresarial brasileira, e não ao governo. "Isso é minimizar as viagens e missões internacionais e empresariais setoriais que com diplomacia conseguiram reverter o quadro", declarou.

Para Bortoletto, o episódio representa uma derrota tanto do governo quanto do Brasil como um todo. "É uma derrota fragorosa do governo, é uma derrota do Brasil, por permitir que discursos ideológicos sentem numa mesa que só cabe português para interpretação de texto e matemática para poder saber fazer conta", concluiu.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNNClique aqui para saber mais.
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Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/economia/o-grande-debate-eleicao-sobrepos-diplomacia-em-discussao-de-tarifaco/