MPE pede arquivamento de denúncia envolvendo motorista de Haddad
Promotor afastou eventual prática de ilícito eleitoral, mas apontou fragilidade na versão apresentada pelo governo paulista; processo foi encaminhado ao Ministério Público de São Paulo
O MPE (Ministério Público Eleitoral) de São Paulo solicitou o arquivamento da denúncia envolvendo uma suposta abordagem irregular da PM (Polícia Militar) contra o motorista do candidato ao governo do estado Fernando Haddad (PT). No entender do promotor, o caso não aparenta ter cunho eleitoral.
"Resta afastada, qualquer dúvida quanto à eventual prática de ilícitos eleitorais pelo governador e candidato à reeleição Tarcísio de Freitas, não subsistindo, portanto, atribuição desta Procuradoria para oficiar no presente expediente", diz um trecho da decisão.
De acordo com ele, no entanto, a narrativa apresentada pelo governo do estado é frágil, uma vez que "o exame crítico dos elementos fáticos e cronológicos afasta por completo a verossimilhança de uma 'mera coincidência no patrulhamento ordinário'".
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2026-08-31 18:50:12"O caráter excepcional desse duplo engajamento tático, em tão curto espaço de tempo e com guarnições que não realizam radiopatrulha comum de 190, fragiliza sobremaneira a tese de regularidade e casualidade administrativa levantada pela corporação", afirmou.
O caso, portanto, foi encaminhado para análise do Ministério Público de São Paulo.
Em coletiva de imprensa nesta segunda-feira (31), o candidato do PT afirmou que a defesa que atua no caso de seu motorista apresentou um novo laudo para reafirmar a versão apresentada pelo funcionário.
Esse parecer técnico apresentado pela campanha é assinado por dois peritos judiciais contratados pela defesa. As 25 páginas do documento apresentam imagens de câmeras de segurança que não teriam sido utilizadas pela investigação.
"As câmeras vistas pelo governador, pelo visto, não eram as câmeras que importavam", disse Haddad, que rebateu a versão da gestão estadual.
"Eu desde o começo desse episódio não acusei ninguém, pressupus boa fé, disse para todo mundo que só queria o esclarecimento do que aconteceu".
"A notícia dada de que a viatura não parou na frente do hotel está completamente desmedida, não existe isso", completou.
Entenda o caso
De acordo com Haddad, seu motorista teria sido seguido por cerca de 40 minutos e abordado de forma atípica por uma viatura da PM após deixá-lo em sua residência na capital paulista, no início deste mês.
No entanto, as investigações da corporação contradizem essa versão: a análise de dezenas de câmeras de segurança ao longo do trajeto — incluindo o local exato retificado e indicado pelo próprio condutor após inconsistências no seu depoimento inicial — confirmou que o veículo esteve estacionado no ponto citado, mas registrou apenas uma viatura passando pela via normalmente, sem efetuar perseguição, parada, desembarque de agentes ou qualquer tipo de abordagem ao motorista.
O motorista foi intimado e também já prestou declarações sobre o caso no 96º Distrito Policial.