Método de 'cadáver fresco' otimiza treinamento médico e cirurgia robótica
Corpos preservados por congelamento permitem simulações mais próximas da realidade, em contraste com a rigidez de produtos como formol
Dados divulgados pela Associação Médica Brasileira (AMB) revelaram que o número de cirurgias robóticas no Brasil aumentou 417% entre 2018 e 2022, em comparação com o período de 2009 a 2018. Nesse contexto, o Instituto de Anatomia Robótica e Treinamento (IART) foi inaugurado, em março deste ano, com o objetivo de capacitar médicos por meio de treinamentos com “cadáveres frescos” e tecnologias robóticas.
Os chamados “cadáveres frescos” são corpos preservados por congelamento, e não por formaldeído. Essa forma de conservação permite preservar melhor as estruturas anatômicas do corpo.
Isso possibilita que os profissionais de saúde simulem intervenções cirúrgicas e até procedimentos estéticos de maneira muito mais próxima da realidade. O uso de formaldeído, por sua vez, pode provocar alterações como rigidez dos tecidos, além de mudanças na cor e na textura.
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2026-08-12 12:11:31Segundo o especialista Dr. Francisco Castillo, diretor de Ensino e Pesquisa do instituto, o uso de cadáveres frescos permite aos profissionais experimentar a resistência e a consistência reais dos tecidos humanos, algo que não é possível reproduzir da mesma maneira em modelos conservados em formol.
Além disso, o método possibilita uma melhor compreensão tridimensional das estruturas anatômicas, das relações entre elas e das variações individuais de cada corpo.
"O uso de peças cadavéricas tem sido considerado um método ouro para a formação médica, porque um treinamento com peças anatômicas desempenha um papel fundamental na formação e no aprimoramento das competências em uma cirurgia ou em qualquer outra área da medicina. Permite ao cirurgião estabelecer uma conexão direta entre o conhecimento anatômico similar ao do paciente e da técnica que vai ser feita”, explica Dr. Francisco Castillo.
Referência internacional
O método ensinado no Brasil recebeu profissionais de outros países interessados em aperfeiçoar sua formação.
"O treinamento em cirurgia robótica com peças cadavéricas frescas é uma experiência enriquecedora, que permite desenvolver nossas habilidades como cirurgiões e praticar técnicas de dissecção em um ambiente mais próximo da realidade", conta Gustavo Cabanillas, urologista do Peru, que fez o curso de cirurgia robótica urológica.
Os cursos são voltados para médicos experientes, residentes, estudantes e equipes multiprofissionais, incluindo enfermeiros, técnicos e instrumentadores cirúrgicos, ampliando o alcance da formação.