Melhora de preços destrava vendas antecipadas da soja 2026/27
Cotações elevadas em Chicago e no mercado doméstico levam produtores a comercializar 29,1% da safra futura
A melhora dos preços da soja no mercado internacional e no mercado brasileiro começou a destravar as vendas antecipadas da safra 2026/27. Levantamento da Safras & Mercado mostra que 29,1% da produção projetada já havia sido comercializada até 4 de setembro, o equivalente a 52,42 milhões de toneladas.
O ritmo está acima do registrado no mesmo período da temporada anterior, quando 20,2% da safra havia sido negociada, e também supera a média dos últimos cinco anos, de 22,7%.
A aceleração foi significativa em apenas um mês. No levantamento anterior da consultoria, realizado em 7 de agosto, a comercialização antecipada estava em 20,2%. Isso significa que, em aproximadamente quatro semanas, os produtores avançaram 8,9 pontos percentuais nas vendas da próxima safra.
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2026-09-06 17:15:18A estimativa da consultoria é de uma produção de 180,089 milhões de toneladas de soja em 2026/27. O volume já comprometido, portanto, corresponde a mais de 52 milhões de toneladas.
Preço melhor muda comportamento do produtor
Segundo a Safras & Mercado, agosto e o início de setembro foram marcados por uma melhora das cotações domésticas da soja. A alta dos contratos futuros em Chicago também ajudou a melhorar a remuneração esperada pelo produtor brasileiro.
A consultoria aponta que a recuperação da bolsa foi sustentada principalmente pelo aumento da demanda pela soja norte-americana, especialmente por parte da China, além de preocupações com o desenvolvimento das lavouras dos Estados Unidos.
Outros mercados também contribuíram para o movimento. A escalada das tensões entre Rússia e Ucrânia aumentou as preocupações com a oferta de trigo e milho pelo Mar Negro, enquanto a valorização do petróleo, com o barril acima de US$ 90, também deu suporte às commodities agrícolas.
O movimento mostra que o produtor brasileiro está aproveitando uma janela de preços mais favorável para reduzir a exposição às oscilações futuras do mercado.
Safra atual também está mais avançada
Não foi apenas a próxima safra que ganhou ritmo. De acordo com a Safras & Mercado, 88,7% da produção da safra 2025/26 já estava comercializada até 4 de setembro. Em 7 de agosto, o percentual era de 81,9%.
O índice atual também está acima do registrado no mesmo período da temporada passada, de 84,1%, e supera a média dos cinco anos anteriores, de 86,4%.
Ao considerar uma produção estimada em 178,341 milhões de toneladas, a consultoria calcula que 158,163 milhões de toneladas da safra 2025/26 já foram negociadas.
Exportações ajudam a sustentar o mercado
A demanda externa também contribui para o cenário mais favorável. Dados MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços mostram que o Brasil exportou 9,8 milhões de toneladas de soja em agosto, com receita de US$ 4,41 bilhões.
O preço médio de exportação ficou em US$ 449,70 por tonelada, alta de 8,3% em relação a agosto de 2025. O volume embarcado também cresceu 5,2% na comparação anual.
O desempenho veio depois de meses de embarques fortes. Em julho, o país exportou 13,4 milhões de toneladas, com receita de US$ 5,87 bilhões e preço médio de US$ 437,80 por tonelada.
Em junho, foram outras 14,5 milhões de toneladas. Os números mostram que o mercado externo continua absorvendo grandes volumes da produção brasileira.
A Conab também apontou aumento dos embarques. No acumulado até julho, as exportações brasileiras de soja cresceram 7,8% em relação ao mesmo período de 2025, com o Arco Norte respondendo por parcela importante do escoamento.
O que explica a aceleração
A fotografia do mercado neste início de setembro combina quatro fatores:
- Chicago em alta, favorecida pela demanda e pelo risco climático nos EUA;
- preços domésticos melhores, estimulando o produtor a negociar;
- forte ritmo de exportações brasileiras, mantendo a demanda aquecida;
- China mais ativa no mercado internacional, dando sustentação às cotações.