Margens de esmagamento de soja na China permanecem negativas

Importações de produtos dos EUA gerariam perdas mesmo sem as tarifas, impactando embarques de outubro a janeiro.

Margens de esmagamento de soja na China permanecem negativas
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Margens de esmagamento de soja na China permanecem negativas

Importações de produtos dos EUA gerariam perdas mesmo sem as tarifas, impactando embarques de outubro a janeiro.

Por Ella Cao e Naveen Thukral e Roberto Samora, da Reuters

As empresas privadas de processamento de soja da China enfrentam um aperto de oferta para o quarto trimestre, o que eleva os custos, à medida ​que os estoques diminuem no Brasil, principal exportador da commodity, e as tarifas mantêm as ​cargas dos EUA praticamente fora de alcance.

A maior indústria de processamento de oleaginosas do mundo já está sob pressão devido às margens negativas e à queda na demanda por ração devido à diminuição do rebanho suíno da China. Os processadores esperam que a visita do presidente Xi Jinping a Washington neste mês leve Pequim a reduzir a tarifa de importação de 10% sobre produtos agrícolas dos EUA.

O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, disse na quinta-feira que ambos os países fariam “alguns anúncios sobre agricultura e barreiras não tarifárias” durante a cúpula, sem fornecer detalhes.

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“Conforme a América do Sul se aproxima do fim de sua safra, as usinas privadas precisarão de acesso à soja dos EUA”, disse Johnny Xiang, fundador da AgRadar Consulting, ⁠com sede em Pequim.

“Isso dependerá da redução das tarifas ou, caso isso ​não ocorra, dos leilões das reservas da Sinograin para manter suas usinas em operação”, disse ele, referindo-se à empresa estatal chinesa de estocagem. Qualquer alívio, no ​entanto, permanece incerto.

“Não estamos considerando a soja dos EUA por causa das tarifas”, disse um processador com sede na China. “Se as tarifas forem reduzidas, recalcularemos as margens de processamento ⁠para avaliar se os carregamentos dos EUA seriam lucrativos.”

As tradings estatais chinesas compraram cerca ⁠de 11 milhões de toneladas de soja dos EUA após a reunião de Xi com o presidente dos EUA, Donald Trump, em maio, segundo ​operadores. ‌As usinas privadas, no entanto, têm evitado em grande parte as cargas norte-americanas devido às tarifas.

A Reuters solicitou comentários ao Ministério do Comércio da China.

Preços em alta, margens negativas

Os futuros ⁠de referência da soja dos EUA subiram quase 12% em relação às mínimas de junho, impulsionados pelas condições climáticas adversas nos EUA, pelas compras estatais chinesas e pelas expectativas de que o fenômeno El Niño possa reduzir a oferta global.

A soja brasileira para embarque em novembro foi cotada com um prêmio de US$3,15 a US$3,20 por bushel em relação ao contrato de soja para ‌novembro da ⁠Bolsa de Chicago, incluindo custo ‌e frete para a China. Cargas comparáveis do Golfo dos EUA foram oferecidas a US$3,20 a US$3,25 por bushel, excluindo tarifas.

Embora a soja dos EUA esteja com preços acima dos produtos brasileiros, os compradores esperam que a colheita norte-americana nas próximas semanas aumente a disponibilidade e exerça pressão sobre os preços.

“O preço final da soja dos EUA permanece altamente incerto, já que ainda ⁠não surgiram consultas de compra em grande escala da China”, disse Xiang.

A próxima safra do Brasil só ⁠está prevista para o início de 2027.

Mesmo sem a tarifa de 10%, as importações de soja dos EUA para embarque entre outubro e janeiro gerariam margens de esmagamento negativas aos preços atuais, de acordo com Rosa Wang, ‌analista da Shanghai JC Intelligence Co., e outros três operadores e analistas.

“As margens teóricas de esmagamento para a soja brasileira e norte-americana, excluindo uma tarifa adicional de 10%, estavam entre 150 e 230 iuanes (US$22,35 a US$34,27) por tonelada no vermelho para embarques de outubro a dezembro”, disse Wang.

Espera-se que o rebanho suíno da China diminua no quarto trimestre, à medida que Pequim intensifica os esforços para reduzir estoques e limitar o peso dos suínos, em uma tentativa de estabilizar um mercado com excesso de oferta.

Os importadores já concluíram ‌em grande parte as compras de outubro e reservaram 4,8 milhões de toneladas para novembro, cerca de 60% da demanda projetada, enquanto as compras para dezembro e janeiro mal começaram, disseram dois operadores baseados na Ásia.

Oferta brasileira limitada

O Brasil tem espaço limitado para aumentar as vendas para a China no quarto trimestre devido à demanda de outros compradores ⁠e à forte atividade de esmagamento no mercado interno, disseram dois analistas brasileiros.

Os produtores brasileiros haviam vendido 82% da safra 2025/26 até o final de julho, contra 78% no ano anterior, e esse número provavelmente está próximo de 85% agora, segundo o analista Rafael Silveira, da Safras & Mercado.

As usinas brasileiras têm competido com os exportadores, chegando, às vezes, a pagar preços acima da ​paridade de exportação, disse ele.

Os embarques de soja do Brasil para a China até 25 de agosto ficaram 2,6 milhões de toneladas abaixo do registrado no ano anterior, enquanto os embarques ​para outros destinos aumentaram em 6 milhões de toneladas, disse Eduardo Vanin, estrategista sênior de agricultura da Marex em Curitiba.

A Argentina forneceu 7,9 milhões de toneladas adicionais de soja à China em 2025, um aumento de 92,4% em relação a 2024, de acordo com dados da alfândega chinesa. Mas espera-se que esse estoque de segurança diminua em 2026, na ausência de incentivos de política semelhantes.



Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/agro/as-vesperas-da-visita/