Manifestantes ocupam praças em Portugal e prometem continuar protestos
Milhares de pessoas se reuniram nos principais locais de Lisboa para continuar os atos contra o agravamento da crise habitacional no país; pelo menos 55 foram presas
Milhares de manifestantes retornaram a duas praças centrais em Lisboa e no Porto nesta terça-feira (20) e prometeram continuar com os protestos contra o agravamento da crise habitacional em Portugal, poucas horas após a polícia ter desmontado acampamentos — compostos por barracas — e efetuado 55 prisões.
Uma assembleia popular em Lisboa decidiu, na noite de terça-feira, retornar à praça do Rossio e montar novamente as barracas nesta quarta-feira.
A cantora Ana Moura juntou-se aos manifestantes no local e fez uma apresentação em apoio ao movimento.
Recomendado para você
Enfermeira brasileira morre 'de forma inesperada' durante lua de mel em Portugal
Amanda Marinho Nascimento, enfermeira do DF, morre em Portugal...
2026-10-22 15:58:53Brasileira morre 'de forma inesperada' durante lua de mel em Portugal
Enfermeira do DF morre durante lua de mel em Portugal/Coren-DF...
2026-10-22 15:58:53Entenda como onda de protestos tomou conta da Europa
Editora de Internacional da CNN Mariana Catacci explica, ao Live CNN, ...
2026-10-22 14:07:32Segundo os organizadores, mais de mil pessoas se reuniram em cada uma das praças. A polícia não forneceu uma estimativa do número de participantes.
Débora Miranda, de 41 anos, consultora de comunicação, disse à Reuters que participou do protesto na praça do Rossio para representar as gerações que enfrentam dificuldades devido à disparada dos custos.
"Se as pessoas não se sentem em casa, em todos os sentidos da palavra, não conseguem seguir com as suas vidas... já chega", afirmou.
Ativistas ocupavam a praça do Rossio, em Lisboa, desde sábado (17) — onde montaram cerca de 200 barracas — e a praça Dom João I, no Porto, há cerca de 10 dias.
Os acampamentos seguiram o modelo de protestos por habitação ocorridos na vizinha Espanha e coincidiram com um período de descontentamento devido ao aumento do custo de vida em países como França, Bélgica e Itália.
Pouco antes das 6h da manhã, após alertar os manifestantes de que os acampamentos eram ilegais, a polícia realizou operações coordenadas em ambas as cidades. No Porto, os próprios manifestantes desmontaram as suas barracas, enquanto, em Lisboa, os agentes fizeram a desocupação da praça do Rossio.
Carla Valadão, porta-voz do acampamento em Lisboa, descreveu a operação policial como "muito agressiva".
O superintendente da Polícia de Segurança Pública, Sérgio Soares, declarou aos jornalistas que a desocupação ocorreu de forma "calma, proporcional e adequada, sem qualquer carga policial".
As 55 pessoas detidas foram posteriormente liberadas, devendo comparecer a uma audiência judicial em Lisboa nesta quarta-feira.
Portugal enfrenta uma das piores crises de acessibilidade à habitação na Europa. Desde 2017, os preços de compra de imóveis mais do que duplicaram, e os valores dos aluguéis para novos contratos também quase dobraram.
A pressão é mais intensa nas grandes cidades, onde também tem surgido oposição ao turismo excessivo e à chegada de um grande número de "nômades digitais". Os manifestantes exigem que o governo de centro-direita retire um projeto de lei que facilita despejos e acaba com os limites aos valores de aluguel em novos contratos — proposta que foi aprovada em primeira leitura parlamentar com a abstenção do partido de extrema-direita Chega.
Jorge Paixão, de 19 anos, estudante de História, classificou a situação como "uma crise social", afirmando que sua geração precisa da "possibilidade de viver com dignidade, constituir família e rejuvenescer Portugal".


