Lula tenta “virar pauta” com Bolsa Família e canetas emagrecedoras

Campanha do presidente aposta em medidas de apelo popular para tentar tirar foco da crise do STF, que se tornou pública nesta semana

Lula tenta “virar pauta” com Bolsa Família e canetas emagrecedoras
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Lula tenta "virar pauta" com Bolsa Família e canetas emagrecedoras

Campanha do presidente aposta em medidas de apelo popular para tentar tirar foco da crise do STF, que se tornou pública nesta semana

Isabel Mega e Danilo Moliterno, , Brasília

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia que os recentes anúncios sobre reajuste do Bolsa Família e as promessas de canetas emagrecedoras no SUS (Sistema Único de Saúde) ajudaram a retomar as rédeas de pautas propositivas na disputa eleitoral.

A avaliação do QG de Lula é que foi possível retomar a capacidade de gerar e disputar a pauta, depois de semanas de noticiário dominado pela crise no STF (Supremo Tribunal Federal) e, antes disso, por desgastes com denúncias sobre Lulinha, o filho do presidente, e sobre Marco Aurélio Santana, ex-chefe de gabinete de Lula.

O aumento no Bolsa Família já era estudado há meses pelo governo, mas ainda não havia definição sobre espaço fiscal. O próprio ministro do Desenvolvimento e Combate à Fome, Wellington Dias (PT-PI), já tinha falado publicamente sobre a ideia no ano passado e início deste ano.

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O reajuste tem um efeito limitado de críticas da oposição. Se os adversários subirem muito o tom, correm o risco de ver eleitores de baixa renda se afastarem.

No PT, a avaliação é de que o governo de Jair Bolsonaro usou a "máquina" de auxílios de maneira "mais agressiva" quando tentava a reeleição em 2022, uma vez que o impacto previsto foi maior quando três meses antes da eleição o agora ex-presidente aumentou o pagamento do Auxílio Brasil.

À época, foi preciso aprovar uma PEC (proposta de emenda à Constituição), que acabou sendo apelidada de PEC Kamikaze, que previa o reconhecimento do estado de emergência no país em 2022 e um pacote de R$ 41,25 bilhões em auxílios que alcançavam ainda taxistas e caminhoneiros.

Quatro anos depois, a alegação dos petistas é de que Lula reajusta o Bolsa Família sem precisar de PEC, o que ajuda a reforçar a responsabilidade fiscal. Ainda assim, haverá um impacto de R$ 22,7 bilhões em 2027 e de que a peça orçamentária, até aqui, não traz indicativo de como irá cobrir.

Fontes do governo Lula afirmam que o aumento foi estudado para não infringir regras eleitorais e para ser repassado como uma recomposição inflacionária, uma vez que o benefício estava defasado.

Outra informação que ajudou a redirecionar a rota, na avaliação de petistas, foram os indícios de "intromissão" dos EUA nas eleições.

Segundo apuração da CNN, houve uma proposta de negociação comercial dos Estados Unidos no ano passado e que envolvia pontos como garantia de participação de "dissidentes políticos" no pleito deste ano, exigência de compra de aeronaves da Boeing por empresas aéreas brasileiras e direito de preferência na aquisição de jazidas de minerais críticos.

Lula ainda prepara o anúncio de novas medidas com impacto eleitoral. O Palácio do Planalto calcula efeitos e detalha uma MP (medida provisória) para restringir casas de apostas esportivas – as chamadas "bets” – no país. A equipe econômica também gerencia um novo programa de renegociação de dívidas – como uma terceira versão do Desenrola.

A articulação do governo, ao mesmo tempo, se prepara para a semana de esforço concentrado no Congresso Nacional. O foco é tentar aprovar a PEC do fim da escala 6x1 no plenário do Senado. Também está no radar o PL (projeto de lei) que amplia o teto do MEI.



Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/politica/lula-tenta-virar-pauta-com-bolsa-familia-e-canetas-emagrecedoras/