Justiça nega liminar que pedia suspensão de IA de advocacia

OAB SP entrou com pedido para interromper atividades jurídicas ofertadas pela Enter

Justiça nega liminar que pedia suspensão de IA de advocacia
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A Justiça Federal negou uma liminar da OAB SP (Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo) que pedia a interrupção das atividades jurídicas ofertadas pela Enter, empresa de inteligência artificial voltada para advogados. A decisão faz parte de uma ação civil pública movida pela Ordem contra a companhia de IA, citando a prática de “advocacia sem advogado”.

A OAB SP acionou a Justiça no início deste mês. Entre os pedidos, estavam a preservação de provas relativas ao funcionamento do sistema da Enter, a suspensão de publicidades que apresentem o produto como um substituto ao advogado e restrições a novas contratações.

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A Ordem também pediu a imposição de uma supervisão humana “efetiva, verificável e auditável por advogados” em todas as etapas, transparência e o impedimento de que o serviço seja ofertado para profissionais não advogados.

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Na decisão de quarta-feira (21), a juíza federal Raquel Fernandez Perrini negou a suspensão da publicidade e a proibição de novas contratações por parte da Enter.

A Justiça aceitou apenas um dos pedidos: o de que a empresa deve preservar documentos e registros de toda a sua operação desde 1º de janeiro de 2024. Isso inclui contratos com clientes e escritórios, versões de modelos e manuais da empresa, e fluxos de remuneração e preços por acesso.

A entidade afirma que os elementos apresentados pela OAB SP revelam “controvérsia plausível” sobre a extensão dos serviços da Enter e que o risco de alteração ou descarte dos registros justifica a preservação imediata.

Entenda o embate entre OAB SP e Enter

A Enter usa inteligência artificial para apoiar advogados e escritórios de advocacia. A empresa afirma que seus agentes de IA produzem a primeira versão de cada etapa de um processo judicial antes que o profissional intervenha no caso.

Os serviços são ofertados tanto a escritórios de advocacia quanto aos clientes finais. O portfólio inclui Bradesco, Mercado Livre, Nubank e LATAM.

Para a OAB SP, a atividade da Enter configura o que a entidade chama de “advocacia sem advogado”, o que motivou o pedido de liminar no início de outubro. A instituição

“A Ordem de São Paulo entende que, diante da escala da operação e do grau de automação empregado, é necessário assegurar que o advogado responsável tenha condições efetivas de analisar, revisar e validar o conteúdo pelo qual responde pessoal e disciplinarmente”, escreveu a Ordem.

A instituição ainda afirmou, à época, que não é contra a tecnologia, mas contra a “advocacia sem advogado“.

“A inteligência artificial pode ampliar produtividade, capacidade de análise e eficiência do trabalho jurídico, porém, deve preservar uma premissa essencial: a decisão jurídica e a responsabilidade profissional precisam permanecer efetivamente sob controle do advogado”, afirmou em comunicado.

Após a decisão da Justiça de aceitar apenas uma das três liminares, a OAB SP escreveu em comunicado que a ação não pede o fechamento da Enter nem a proibição de ferramentas de IA, mas de salvaguardas que garantam a independência do advogado e a identificação de quem responde por cada etapa do processo. Outras liminares ainda serão analisadas.

A Enter diz que já havia se oferecido voluntariamente a preservar os documentos e que vai colaborar com a determinação da Justiça.

A empresa também revelou que demonstrou que todo o conteúdo de sua plataforma passa pelos processos de auditoria, revisão e edição humana, e que a decisão final é sempre do advogado habilitado.

“A Enter recebe a decisão com serenidade e confiança em sua operação. A empresa cumprirá integralmente a determinação de preservação, apresentará sua defesa no momento processual oportuno e segue aberta ao diálogo institucional com a OAB/SP”, escreveu.



Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/economia/money/inteligencia-artificial/justica-nega-liminar-que-pedia-suspensao-de-ia-de-advocacia/