As Casas Bahia apresentaram pedido de recuperação judicial, via fato relevante, no domingo (16). A situação da companhia, segundo Vera Bermudo, professora de finanças da FGV, ao CNN Prime Time é resultado de um somatório de fatores que se agravaram ao longo do tempo, especialmente após a recuperação extrajudicial realizada em 2024.
Descolamento no capital circulante
O principal problema identificado por Bermudo é o grave descolamento no capital circulante líquido da empresa.
“Os ativos circulantes que ela tem são menores do que o passivo circulante que ela tem”, explicou. Na prática, isso significa que, mesmo que a companhia vendesse todos os seus bens e direitos de curto prazo, ainda assim não conseguiria quitar suas dívidas de curto prazo.
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2026-08-17 18:54:40Bermudo destacou que essa situação tem raízes na recuperação extrajudicial de 2024, quando as dívidas foram alongadas para o longo prazo a fim de dar tempo à empresa para se reorganizar.
“Não feito isso, o que acontece agora é que as dívidas viram para o curto prazo”, afirmou. As medidas estruturais necessárias para sanear a companhia — como o fechamento de lojas e a redução de custos — não foram adotadas naquele momento, o que agravou progressivamente a situação.
Fechamento de lojas e demissões
Entre as consequências já anunciadas, estão o fechamento de aproximadamente 300 lojas e a demissão de cerca de 3 mil funcionários. Bermudo reconheceu o impacto humano dessas medidas, mas ponderou que tais ações já eram esperadas desde 2024 e que a ausência delas contribuiu para o aprofundamento da crise.
“Dado o cenário que se encontra as Casas Bahia, isso era algo já esperado há dois anos atrás, quando da recuperação extrajudicial e que não foi feita”, disse.
Sobre as prioridades de pagamento durante o processo de recuperação judicial, Bermudo explicou que o regramento legal estabelece uma ordem clara: dívidas trabalhistas, impostos e fornecedores têm precedência, enquanto os acionistas são os últimos a receber.
A empresa, por sua vez, continua em funcionamento durante o processo.
Juros altos e expansão mal planejada
Questionada sobre os fatores estruturais que levaram a companhia a essa situação, Bermudo apontou a combinação entre o ambiente de juros elevados e decisões de gestão inadequadas. “Os juros altos não ajudam o varejo, isso é fato”, afirmou.
No entanto, ressaltou que as empresas precisam ter parcimônia ao se endividar em cenários de juros altos e que planos de expansão devem ser muito assertivos. Além disso, destacou que a eficiência operacional — gastar menos do que se arrecada — é um princípio fundamental que deve estar sempre presente na gestão empresarial.
“Foi um somatório de elementos que levaram as Casas Bahia até esse momento, infelizmente”, concluiu.