A primeira-dama, Janja Lula da Silva, e o candidato à Presidência da República pelo Missão, Renan Santos (Missão), têm trocado críticas nos últimos dias após uma fala do político durante o debate presidencial realizado no último domingo (23) pela TV Bandeirantes.
Durante o programa, Renan criticou as ausências do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL), ao trazer fraldas geriátricas com os nomes dos concorrentes. Ao falar do presidente, ele relacionou a falta à companhia da primeira-dama e disse que, no debate, Lula teria “companhias melhores”.
Atingida pelas falas do candidato, Janja solicitou um direito de resposta em que repudiou as declarações de Renan e alegou que teria ocorrido ataque “de forma pessoal e depreciativa”. A primeira-dama acusou o candidato de misoginia e defendeu que situações como essa não podem ser normalizadas.
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2026-08-25 13:35:29Ainda na nota enviada, ela afirma que “episódios como esse não são casos isolados”, ao mencionar que o político já esteve “envolvido em declarações de violência contra mulheres”.
“Insinuar que a companhia da esposa de outro presidenciável seria motivo de ‘pena’ está longe de ser uma crítica política. É mais uma maneira de deslegitimar e ridicularizar a figura da mulher, como ferramenta de misoginia para atacar um adversário político”, diz um trecho da nota.
Na conclusão do posicionamento, a primeira-dama defendeu que o debate político deveria ser “um lugar para apresentar propostas, confrontar ideias e discutir projetos para nosso país” e não um espaço para “expor, debochar ou intimidar” uma mulher, destacando o fato de não ser candidata.
Confira a íntegra da nota
“Diante do episódio ocorrido no debate presidencial promovido pela TV Bandeirantes na noite deste domingo (23/08), manifesto repúdio às falas do candidato Renan Santos (Missão). Situações como essa não podem ser normalizadas.
O candidato atacou, de forma pessoal e depreciativa, uma mulher que não é candidata, não estava presente para se defender e não tinha qualquer relação com o tema em discussão.
Insinuar que a companhia da esposa de outro presidenciável seria motivo de “pena” está longe de ser uma crítica política. É mais uma maneira de deslegitimar e ridicularizar a figura da mulher, como ferramenta misógina para atacar um adversário político.
Episódios como esse não são um caso isolado. Renan Santos já esteve envolvido em declarações de violência contra as mulheres e incitou dezenas de homens a cometerem um estupro coletivo. É possível visualizar um padrão de falas que normalizam o desrespeito às mulheres.
Nós, mulheres, sabemos o quanto precisamos lutar para sermos ouvidas sem sermos interrompidas, desqualificadas ou atacadas. Por isso, faz-se tão necessário repreender
imediatamente atos como esses, que depreciam nossas existências.
Debate político é, ou deveria ser, um lugar para apresentar propostas, confrontar ideias e discutir projetos para o nosso país. Não é lugar para expor, debochar ou intimidar uma mulher, principalmente uma que nem candidata é.
Janja Lula da Silva”
Renan volta a fazer as críticas
Após o posicionamento da primeira-dama, Renan Santos voltou a começar o assunto durante sabatina realizada pela rádio TMC nesta terça-feira (25).
Ao ser questionado sobre o assunto, o político do Missão afirmou que Janja é um “agente político”, ao criticar a sua atuação, e que é preciso “arcar com as consequências do exercício de poder”.
“Ela interfere no governo do marido dela sem ter sido eleita para isso. E aí, quando ela vai receber as consequências dos posicionamentos políticos dela, ela não gosta. Quer dizer, é bom ser agente político para pegar o nosso dinheiro e sair viajando por aí, ficar comprando bolsa, andando, desfilando por aí como se fosse uma modelo. Aí, quando é alvo de críticas, ela não gosta”, declarou.
Na sequência, o candidato voltou a repetir o posicionamento feito no debate do domingo e se justificou de que, durante as falas, estava realizando uma provocação direta ao presidente e sua ausência.
“Ora, eu disse de maneira muito clara, eu falei duas vezes dela: ‘O Lula estaria melhor acompanhado conosco no debate do que com ela’. Lógico que eu estava provocando ele”, completou.