Investimentos em IA esbarram em gargalos de infraestrutura
Expansão de data centers e demanda por energia colocam em debate a capacidade dos investimentos em IA gerarem retorno
A expansão da inteligência artificial tem levado empresas de tecnologia a anunciar investimentos bilionários em infraestrutura.
Segundo Bernardo Pascowitch, apresentador do Resenha do Dinheiro, o volume de recursos projetado para investimentos em IA já chama atenção, mas o desafio não está apenas na disponibilidade de capital ou de mão de obra.
“Data centers, energia e altos custos em infraestrutura para sustentar os sistemas de IA estão entre os principais gargalos que podem definir o ritmo de crescimento do segmento nos próximos anos”, diz.
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2026-09-11 19:57:14A concentração dos data centers em determinadas regiões também tem provocado discussões sobre os impactos locais dessas estruturas.
“Os data centers têm aumentado o barulho nos bairros e a temperatura nas redondezas, criando ilhas de calor. Por isso, surgiu um debate sobre qual será o futuro da IA, não apenas em relação ao dinheiro necessário, mas também à infraestrutura necessária para absorver tudo isso”, ressalta Pascowitch.
A dimensão dos investimentos ajuda a explicar o tamanho do desafio, analisa Thiago Godoy, educador financeiro.
“Os recursos destinados à infraestrutura atingem níveis inéditos. Só em data centers são mais de US$ 800 bilhões por ano e US$ 1 trilhão por ano em 2050”, afirma.
No entanto, o principal ponto está em saber se todo esse capital empregado na expansão será capaz de gerar retorno suficiente para justificar os gastos.
“Se é necessário US$ 30 trilhões para esses investimentos, é preciso uma receita três vezes maior para ter uma margem de lucro. Quem vai pagar uma receita dessas para as empresas terem esse número absurdo de lucro?”, questiona Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos.
Caso os investimentos em infraestrutura não se mostrem rentáveis, isso afeta a percepção dos investidores sobre as empresas ligadas à IA.
A preocupação está relacionada também ao risco de uma valorização dos ativos que não seja acompanhada pela evolução dos resultados das empresas.
Nesse cenário, o aumento do preço das ações pode criar uma distância entre as expectativas do mercado e os fundamentos financeiros dos negócios.
“Caso contrário, cria-se uma possível bolha que não tem nada a ver com o ativo, mas com o preço em si. Uma valorização muito grande, muitas vezes desacompanhada dos fundamentos”, afirma Pascowitch.
Resenha do Dinheiro
Realizado com o apoio da B3 e da gestora de investimentos BlackRock, o programa é apresentado por Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos, Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb e Thiago Godoy, o “Papai Financeiro”; e propõe uma abordagem leve, direta e descomplicada sobre temas ligados a educação financeira e investimentos. A atração aborda semanalmente os principais temas da economia com a informalidade de uma conversa entre amigos — sem abrir mão da análise.
O Resenha do Dinheiro vai ao ar todas as sextas-feiras, às 19h, no canal do CNN Money no YouTube e aos domingos, às 15h, na CNN Brasil.