Investigadores rebatem acusação de "PF paralela"
Segundo analista de Segurança Pública da CNN, Elijonas Maia, ao Live CNN, cúpula da Polícia Federal refuta termo usado por ministros durante sessão no Supremo e afirma que cumpriu ordens judiciais
Durante julgamento realizado na terça-feira (15) no STF (Supremo Tribunal Federal), os ministros Luiz Fux e André Mendonça levantaram a existência de uma suposta "Polícia Federal paralela", que estaria monitorando ministros da Corte sem autorização. Segundo o analista de Segurança Pública da CNN Elijonas Maia, ao Live CNN, a acusação gerou forte repercussão dentro da corporação, que reagiu de forma contundente às declarações.
De acordo com o analista, a Polícia Federal foi mencionada repetidamente ao longo de toda a sessão. Luiz Fux, Gilmar Mendes e André Mendonça abordaram o tema em diferentes momentos, incluindo referências ao relatório produzido pela PF que embasou o julgamento — no qual se discutia a abertura ou não de uma investigação contra Alexandre de Moraes.
Corporação rejeita o rótulo
A cúpula da Polícia Federal, segundo Elijonas Maia, rejeitou totalmente o termo "PF paralela". A corporação afirma que não existe uma estrutura paralela atuando de forma ilegal, contrariando a Constituição ou o Código de Processo Penal.
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2026-09-16 11:08:43A PF sustenta que cumpre ordens judiciais e que o relatório de 218 páginas mencionado durante o julgamento foi elaborado a partir de uma determinação do ministro André Mendonça, relator do caso Master.
"A Polícia Federal fez o trabalho técnico de perícia, análise do celular e fez um relatório e enviou para a Suprema Corte", explicou Elijonas Maia, resumindo a posição da instituição.
O analista também destacou que, da mesma forma, outro relatório foi requisitado por Alexandre de Moraes e incluído no inquérito das fake news, tratando do ministro André Mendonça.
A sessão também foi marcada pelo tema do afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, ocorrido na semana anterior ao julgamento — episódio que, segundo Elijonas Maia, ocorreu justamente em meio ao contexto em que se alegava a existência de uma PF paralela atuando de forma irregular.
Bate-boca sobre delegados nos gabinetes
Outro ponto de tensão durante a sessão foi a defesa feita por Gilmar Mendes pela retirada de delegados lotados nos gabinetes do STF. Atualmente, são cinco delegados distribuídos entre os gabinetes: dois no gabinete de André Mendonça, um no de Alexandre de Moraes, um no de Luiz Fux e outro na segurança do próprio Supremo, sem vínculo com a assessoria dos magistrados.
Gilmar Mendes chegou a afirmar que "só uma pessoa sem a menor noção" afastaria um diretor-geral da PF, em referência a André Mendonça, e comparou o ato a demitir o diretor da NASA.
Elijonas Maia ponderou que a questão dos delegados nos gabinetes divide opiniões dentro da própria corporação. Uma ala defende a presença desses profissionais como suporte técnico para a condução de inquéritos complexos — como os casos Master, Dark Horse, INSS e Lulinha, todos sob a relatoria de André Mendonça. Outra ala, no entanto, critica essa prática.