Um parlamentar do Hezbollah afirmou nesta quinta-feira (15) que centenas de quilos de explosivos apreendidos na semana passada pelas forças de segurança do Líbano pertenciam ao grupo e seriam usados contra Israel. A declaração ocorre em meio às tensões provocadas pela pressão do governo libanês para desarmar o movimento apoiado pelo Irã.
Autoridades libanesas interceptaram na semana passada, em um posto de controle na região de Bekaa, no leste do país, um veículo que transportava os explosivos. Duas pessoas que estavam no carro foram presas.
Na ocasião, as autoridades não informaram a quem pertencia o veículo, o que provocou preocupação no Líbano diante da possibilidade de que os explosivos fossem destinados a atentados com carros-bomba ou outros ataques capazes de desestabilizar o país.
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2026-10-22 13:56:10Em entrevista a jornalistas no Parlamento libanês nesta quinta-feira, Hassan Fadlallah afirmou que o Hezbollah pretendia usar os explosivos contra Israel, cujas tropas ocupam extensas áreas do território libanês conquistadas durante a guerra deste ano.
Um integrante do Hezbollah e uma fonte de segurança libanesa disseram à Reuters que os explosivos apreendidos seriam utilizados em drones carregados com explosivos para atacar tropas israelenses.
Fadlallah afirmou que o grupo entrou imediatamente em contato com os órgãos de segurança para esclarecer que o veículo e a carga lhe pertenciam. O parlamentar também pediu a devolução do material e a libertação dos detidos.
O reconhecimento evidencia os esforços do Hezbollah para continuar transportando armas pelo Líbano, apesar da promessa do governo de colocar todo o armamento do país sob controle estatal.
Em 2 de março, o governo libanês proibiu especificamente as atividades militares do Hezbollah, poucas horas depois de o grupo lançar foguetes contra Israel em solidariedade a Teerã. A ação envolveu o Líbano na guerra regional iniciada após ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.
As decisões do governo buscavam reverter a relativa liberdade que o Hezbollah teve durante anos para transportar equipamentos militares pelo território libanês.
A principal rota de abastecimento de armas do grupo, que passava pela Síria, foi interrompida após a queda de seu aliado, o então presidente sírio Bashar al-Assad, no fim de 2024. Desde então, as novas autoridades sírias anunciaram repetidas apreensões de armas na fronteira com o Líbano que, segundo elas, seriam destinadas ao Hezbollah.
Ao longo de 2025, tropas libanesas apreenderam e destruíram depósitos de armas do Hezbollah no sul do país, como parte do plano do governo para estabelecer o controle estatal sobre todo o armamento. A implementação desse plano, porém, foi suspensa com o início da nova guerra.
Em um acordo firmado neste ano durante negociações mediadas pelos Estados Unidos entre o Líbano e Israel, Beirute se comprometeu a desarmar o Hezbollah. Em contrapartida, as tropas israelenses deveriam se retirar gradualmente do território libanês.
O Hezbollah, no entanto, se recusa a entregar suas armas enquanto forças israelenses permanecerem em território libanês. Israel, por sua vez, continua realizando ataques em diferentes áreas do sul do Líbano.