O agronegócio brasileiro já ocupa posição de destaque no mercado internacional, com exportações superiores a US$ 170 bilhões e um superávit comercial acima de US$ 150 bilhões.
Ainda assim, segundo o colunista da CNN Agro, Marcos Fava Neves, o país tem potencial para ampliar sua participação global, desde que o governo adote medidas voltadas ao fortalecimento da competitividade do setor.
Oito frentes de oportunidade
Marcos Fava Neves divide esse potencial de expansão em oito grandes frentes. A primeira é a de alimentos, segmento em que o Brasil já responde por cerca de 60% do mercado mundial de soja e por aproximadamente 50% do mercado de açúcar, além de ocupar posições relevantes na produção e exportação de frutas, sucos e café.
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Outra oportunidade está na bioenergia, com destaque para a produção de combustíveis renováveis para aviação e transporte marítimo, além do etanol, do biodiesel e da bioeletricidade. O colunista também apontou o potencial de crescimento dos produtos embalados — itens prontos para as gôndolas de supermercados na Europa, nos Estados Unidos e no Japão —, seja por meio de marcas próprias ou de marcas brasileiras.
O setor de restaurantes e franquias também foi citado como uma oportunidade a ser retomada. Segundo Marcos Fava Neves, iniciativas anteriores foram prejudicadas pela pandemia, mas continuam representando uma importante fonte de royalties e remessas de recursos ao Brasil.
Completam a lista os serviços, como startups, consultorias, logística, serviços ambientais, jurídicos e financeiros; os equipamentos agrícolas, incluindo tratores, máquinas, implementos e tecnologias de irrigação; e o setor de insumos, formado por produtos químicos, vacinas e biológicos.
“São áreas em que precisamos ter um plano estratégico para crescer de forma mais consistente, porque o Brasil é competitivo e entra na arena internacional com vantagens”, afirmou.
Agenda de competitividade
Ao ser questionado sobre os desafios para transformar esse potencial em resultados, Marcos Fava Neves defendeu a adoção de uma ampla agenda de competitividade.
“Precisamos de um governo que seja amigo das empresas e dos empresários, no sentido de facilitar o trabalho para que essas empresas sejam mais competitivas”, declarou.
Entre as medidas consideradas prioritárias, o colunista destacou o fortalecimento da pesquisa, do desenvolvimento e da inovação, com maior apoio à Embrapa, às universidades e às parcerias público-privadas. O objetivo, segundo ele, é inverter a lógica atual, em que o Brasil paga royalties por tecnologias desenvolvidas no exterior, e passar a receber esses recursos por inovações produzidas no país.
Marcos Fava Neves também apontou como entraves o aumento da carga tributária, os retrocessos nas políticas trabalhistas e as deficiências em infraestrutura, especialmente em rodovias, logística e conectividade.
“Quanto mais eu facilitar, o empresário vai jogar melhor”, resumiu, ao comparar o ambiente de negócios às condições oferecidas para o desempenho das empresas.
Na avaliação do colunista, um projeto estratégico construído em parceria entre governo, setor privado e a ApexBrasil seria fundamental para ampliar a inserção internacional do agronegócio brasileiro, impulsionando as exportações, a geração de empregos, a arrecadação de impostos e o desenvolvimento econômico do país.