Governo fará análise individual para taxar exportação de minerais críticos
Ala do governo defende que cada mineral deve ter estratégia própria de desenvolvimento da cadeia produtiva e, por isso, eventual imposto sobre exportações com baixo grau de beneficiamento deve ser definido de forma individualizada
Uma ala do governo federal defende que um eventual imposto sobre a exportação de minerais críticos com baixo grau de beneficiamento seja aplicado de forma individualizada, após estudos sobre a vocação econômica e o potencial de desenvolvimento da cadeia produtiva de cada substância.
Segundo interlocutores envolvidos nas discussões, a avaliação é que não faria sentido estabelecer uma cobrança ampla e uniforme para todos os minerais exportados com pouco processamento. Isso porque cada cadeia produtiva tem características próprias, diferentes níveis de maturidade e possibilidades distintas de agregação de valor dentro do país.
A proposta defendida por essa ala é que o governo analise mineral por mineral antes de definir a incidência e o tamanho de uma eventual alíquota. O estudo deverá considerar quais etapas da cadeia o Brasil tem condições técnicas e econômicas de internalizar e até onde seria estratégico avançar no processamento de cada produto.
Recomendado para você
Inscrições para programa habitacional de servidores estão abertas em Varginha; veja quem pode participar
Inscrições para programa habitacional de servidores estão aber...
2026-07-29 07:46:24Terremoto no Japão: sobreviventes que escaparam de shopping relatam 'cenário de pânico'
Equipes buscam por sobreviventes após terremoto de magnitude 7...
2026-07-29 07:25:34Quaest na Bahia: 57% aprovam governo de Jerônimo Rodrigues, e 34% desaprovam
Jerônimo Rodrigues é pré-candidato à reeleição na Bahia Amanda...
2026-07-29 07:25:22O debate ocorre durante a formulação das regras destinadas a ampliar o beneficiamento e a transformação de minerais críticos em território nacional.
O projeto que institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, aprovado pela Câmara dos Deputados e encaminhado ao Senado, determina que a regulamentação poderá estabelecer parâmetros, requisitos técnicos e compromissos de agregação de valor vinculados às exportações.
O artigo 8º também prevê tratamento preferencial para projetos que internalizem etapas relevantes da cadeia produtiva e obriga as empresas a prestar informações sobre o grau de processamento, a composição mineralógica, o destino e o uso econômico dos produtos exportados. O dispositivo, porém, não cria diretamente um imposto de exportação nem define quais minerais seriam alcançados por uma eventual cobrança.
A discussão dentro do governo parte da avaliação de que as cadeias minerais têm níveis muito diferentes de complexidade. Em determinados casos, o país já possui mercado, tecnologia, energia e escala suficientes para avançar no processamento. Em outros, obrigar a internalização de etapas industriais pode tornar o projeto economicamente inviável ou produzir um material sem compradores no mercado brasileiro.
Integrantes da chamada ala desenvolvimentista chegaram a defender uma taxação mais ampla sobre a exportação de minerais críticos com baixo grau de processamento. A proposta teria como objetivo desestimular a venda de produtos pouco beneficiados e induzir empresas a instalar etapas adicionais da cadeia no Brasil.
A ideia de uma cobrança generalizada, no entanto, enfrenta resistência dentro do próprio governo. Interlocutores argumentam que a mesma regra não pode ser aplicada de maneira automática a produtos com mercados, processos industriais e estruturas de custos completamente diferentes.
Até mesmo a definição do que deve ser considerado minério bruto ou produto com baixo grau de beneficiamento ainda deverá ser detalhada.
Nas terras raras, por exemplo, há diferentes estágios de processamento. A exportação de monazita praticamente bruta envolve pouca agregação de valor, enquanto a produção de carbonato misto já exige etapas de beneficiamento químico e representa um avanço na cadeia.
Ainda assim, o governo pode concluir que, para esse mineral, o objetivo estratégico do país deve ser avançar até a separação e a produção de óxidos de terras raras. Nesse caso, mesmo a exportação de carbonato misto poderia ser alcançada pelo imposto, apesar de o produto já apresentar algum grau de beneficiamento.
No caso do lítio, por exemplo, o país pode entender que não é economicamente viável internalizar todas as etapas da cadeia produtiva no curto prazo. Nesse cenário, a exportação de um produto intermediário, como o concentrado de espodumênio, poderia não ser taxada.
Essa diferença ajuda a explicar por que integrantes do governo defendem que a análise considere não apenas se houve algum beneficiamento, mas qual produto está sendo exportado, qual valor foi efetivamente agregado no Brasil e quais etapas adicionais poderiam ser desenvolvidas de forma competitiva no país.
A intenção é evitar tanto a exportação indiscriminada de produtos pouco processados quanto a imposição de exigências que inviabilizem projetos antes que exista, no Brasil, uma cadeia industrial capaz de absorver a produção.