Governança também é para PME e começa antes da crise
Sem exigir conselhos sofisticados ou estruturas de grandes companhias, práticas simples de governança podem ajudar empresas a distribuir responsabilidades, tomar decisões melhores e construir futuro mais sólido para pequenos negócios

Pequenos negócios representam 95% das empresas brasileiras e respondem por 30% do PIB (Produto Interno Bruto), segundo dados compilados pelo Sebrae. Em 2024, o segmento foi responsável por 61% dos empregos criados no país.
Essa relevância econômica convive com um desafio comum em empresas menores: decisões, conhecimento e relações com clientes muitas vezes ficam concentrados no fundador ou em poucos sócios.
É nesse ponto que a governança deixa de ser um tema restrito às grandes companhias. Em linhas gerais, ela reúne práticas que ajudam a definir como a empresa é dirigida, quem responde por cada decisão e como os sócios acompanham os resultados.
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2026-10-22 16:10:09Para uma pequena ou média empresa, pode começar com perguntas diretas como quem decide sobre os investimentos? Como os sócios resolvem divergências? Que informações precisam ser compartilhadas? E quem assume responsabilidades se o principal líder se afastar?
“Governança não precisa começar com um conselho formal”, afirma Daniella Leite, CEO da FBN Brasil (Family Business Network), organização que conecta famílias empresárias para a troca de experiências e boas práticas em temas como governança e sucessão, entre outros.
A executiva ainda completa que para empresas menores, pode-se começar com clareza sobre quem decide, quais responsabilidades cada pessoa assume e como os sócios conversam sobre os desafios do negócio.
“Esses acordos ajudam a empresa a depender menos de decisões concentradas e a se preparar para crescer e atravessar mudanças, inclusive uma possível sucessão. Direcionar a atenção para isso desde cedo pode evitar problemas no futuro”, diz Daniella.
Na prática, os primeiros passos podem ser simples. Realizar reuniões periódicas entre sócios, definir uma pauta e registrar decisões. Também ajuda estabelecer limites de autonomia para gastos e contratações, separar o caixa da empresa das despesas pessoais e combinar critérios para a entrada de familiares no negócio.
Esses acordos tornam as decisões mais previsíveis e reduzem a dependência de conversas improvisadas ou da memória de uma única pessoa.
A governança também ganha importância quando a empresa cresce. Mais funcionários, clientes, fornecedores e sócios ampliam o número de decisões e de interesses envolvidos.
Sem papéis bem definidos, o crescimento pode aumentar os ruídos e sobrecarregar quem fundou o negócio. Com responsabilidades mais claras, fica mais fácil acompanhar resultados, identificar problemas e decidir os próximos passos.
“Muitas empresas que estão no início da jornada só percebem a falta de governança quando o crescimento começa a gerar desorganização ou quando o fundador já não consegue centralizar todas as decisões”, afirma Paulo Moreira, CEO do Grupo LPJ, empresa que atua na transformação de negócios, combinando estratégia, tecnologia, gestão e conhecimento especializado para apoiar empresas em projetos de alta complexidade.
"O ideal é fazer esse movimento antes da crise. Criar processos, indicadores, níveis de autonomia e responsabilidades claras permite que a empresa cresça de forma mais previsível e dependa menos de uma única pessoa."
Quando a transferência de responsabilidades só entra na pauta diante de uma doença, aposentadoria ou conflito, pode faltar tempo para preparar quem vem depois. Planejar com antecedência permite avaliar competências, distribuir conhecimento e alinhar expectativas entre gerações.
O objetivo não é importar estruturas de grandes empresas, mas adaptar princípios de governança ao porte e à realidade de cada negócio. A pergunta que fica para o empreendedor é simples: se você se afastasse por um mês, sua empresa saberia quem toma as decisões e como seguir?
Se a resposta for não, esse pode ser o primeiro sinal de que a empresa precisa distribuir melhor responsabilidades e decisões. O empreendedor pode começar identificando quais tarefas dependem exclusivamente dele, registrando processos essenciais e combinando com sócios ou lideranças quem pode assumir cada frente.
“Não é preciso resolver tudo de uma vez. Reuniões regulares e acordos claros já ajudam a reduzir a dependência de uma única pessoa e dão mais segurança para o negócio seguir em momentos de mudança”, finaliza a CEO da FBN Brasil.


