Girassol Agrícola projeta R$ 900 milhões com eucalipto
Uma das maiores sementeiras do país quer ampliar área para 14 mil hectares em cinco anos e vê nas usinas de biocombustível uma nova fronteira de demanda por biomassa
A expansão das usinas de etanol de milho em Mato Grosso está criando uma nova frente de negócios no campo: as florestas plantadas para produção de biomassa.
A Girassol Agrícola, uma das principais sementeiras do país, projeta faturar R$ 900 milhões até 2031 com a produção de eucalipto destinada ao abastecimento das caldeiras das biorrefinarias de milho.
A empresa já soma 10,5 mil hectares de eucalipto cultivados em Mato Grosso, formando uma das maiores florestas individuais do estado.
Recomendado para você
Esquema de fraude em agência do INSS na Bahia poderia causar prejuízo de R$ 99 milhões aos cofres públicos, estima PF
Jovem é preso suspeito de fraudar benefícios do INSS O esquema de ...
2026-08-26 10:01:46Operação mira lavagem de dinheiro de facção que movimentou milhões de reais em MT e outros 3 estados
São cumpridas 48 ordens judiciais em Mato Grosso, Paraná, Goiá...
2026-08-26 08:43:00MPT processa Uber em R$ 321 milhões por cobrar taxa de motoristas para trabalhar
Motorista de aplicativo, app, Uber, 99 Maksim Goncharenok/Pexe...
2026-08-26 08:28:09A estratégia começou há 18 anos, antes mesmo da chegada das usinas de etanol de milho à região. Os primeiros plantios foram feitos em áreas de Jaciara e Alto Araguaia, com o objetivo inicial de recuperar terrenos degradados ou arenosos, considerados menos adequados para a agricultura.
Com a expansão do setor de biocombustíveis, essas áreas ganharam uma nova função econômica.
“Quando o projeto teve início, o uso do eucalipto como fonte de energia ainda era limitado por aqui. O avanço das usinas de etanol de milho nos últimos anos mudou esse cenário, ampliando de forma significativa a demanda por madeira para abastecimento de caldeiras”, afirma Gilmar Meneghini, CEO da Girassol Agrícola.
Nova fronteira de demanda
A empresa fornece atualmente cerca de 1 milhão de metros cúbicos de cavaco de madeira por ano às usinas de biocombustível. O negócio já representa aproximadamente 7% do faturamento do grupo.
Agora, a companhia quer ampliar a área plantada para 14 mil hectares nos próximos cinco anos.
“O eucalipto deixou de ser uma alternativa e passou a ser uma cultura estratégica dentro do nosso portfólio de negócios”, diz Meneghini.
Segundo o executivo, o avanço esperado da produção de etanol de milho em Mato Grosso deve ampliar ainda mais a necessidade por biomassa.
Cada planta de etanol demanda entre 20 mil a 30 mil hectares de floresta. Com a expectativa de o estado chegar a uma produção de 5 bilhões de litros de etanol nos próximos três anos, abre-se uma demanda enorme para o setor.
A expansão das florestas plantadas também entrou no radar do governo estadual. No fim de março, Mato Grosso lançou o Plano de Desenvolvimento Florestal e Biomassa, com a meta de ampliar a área de florestas plantadas para 700 mil hectares até 2040.
Investimento de R$ 100 milhões
A aposta da Girassol Agrícola exigiu investimentos de aproximadamente R$ 100 milhões ao longo do desenvolvimento do projeto.
Os recursos foram destinados à abertura das áreas, produção e compra de mudas, implantação da cultura, colheita mecanizada e formação de equipes.
Além do potencial econômico, a estratégia permite transformar áreas degradadas, arenosas ou pastagens subutilizadas em ativos produtivos.
A decisão de investir no negócio surgiu de uma visão do fundador da companhia, o gaúcho Gilberto Goellner, que deixou o Rio Grande do Sul para desenvolver suas atividades no Cerrado.
Produtor rural, Goellner construiu em Mato Grosso uma das maiores sementeiras do país, com atuação na produção e comercialização de sementes de soja, milho e algodão.
Na época dos primeiros investimentos em eucalipto, a produção tinha como destino principalmente indústrias de óleo de soja. O objetivo inicial era encontrar uma atividade economicamente viável para áreas com menor aptidão agrícola.
Quase duas décadas depois, a expansão do etanol de milho transformou e continuará transformando o cenário na região. A estimativa da Conab, Companhia Nacional de Abastecimento é de que na safra 2026/27 a produção alcance 11,91 bilhões de litros, um acréscimo de aproximadamente 1,74 bilhão de litros em um ano