Flávio tenta ampliar eleitorado ao reforçar trajetória além do pai
Campanha busca fazer com que o sobrenome Bolsonaro impulsione o presidenciável sem que determine totalmente a percepção sobre ele, especialmente perante os eleitores de centro
Um dos principais desafios do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) neste início de campanha é preservar a identidade bolsonarista para manter a base e, simultaneamente, ampliar o teto eleitoral. Para isso, a campanha começa a reforçar a trajetória política do senador para além da relação com o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A associação com Jair Bolsonaro é hoje um dos principais ativos da candidatura de Flávio, mas também pode funcionar como um limitador para a expansão do eleitorado.
Segundo aliados, a imagem do senador ainda está extremamente vinculada à do pai — algo considerado natural. A questão, agora, é tentar fazer com que essa identificação não seja a única porta de entrada para o eleitor.
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2026-08-29 08:00:56A avaliação entre interlocutores é que existe espaço para avançar sobre eleitores menos ideológicos, mas insatisfeitos com o PT e potencialmente receptivos a uma candidatura de direita. Para chegar a esse público, a estratégia passa por apresentar Flávio não apenas como o filho de Jair Bolsonaro, mas como um político com carreira própria, experiência e bandeiras consolidadas.
É nesse contexto que a comunicação da campanha começa a dar mais destaque ao currículo político do candidato. A ideia é lembrar, por exemplo, que Flávio iniciou a carreira como deputado estadual do Rio de Janeiro e foi o mais jovem eleito para o cargo no estado.
Também entra nessa narrativa ele ser senador desde 2018 e ter presidido, no Senado, a Comissão de Segurança Pública — uma das principais bandeiras de sua candidatura.
O objetivo é mostrar que Flávio não chegou à disputa presidencial apenas por ser filho de Jair Bolsonaro, mas que acumulou uma trajetória política ao longo de anos e ocupou cargos eletivos antes da candidatura ao Planalto.
No site oficial da campanha de Flávio, essa construção já aparece de forma explícita:
“Da Academia Militar às urnas do Rio, do Rio ao Senado Federal. A história de Flávio não é sobre ter nascido perto do poder. É sobre o que ele decidiu fazer com isso, votação após votação, ano após ano para levar o Brasil mais longe, com o povo feliz.”
O trecho sintetiza a tentativa de posicionamento: a campanha não nega a origem familiar — algo que seria impossível e inviável —, mas procura deslocar o foco ainda para as escolhas e a experiência acumulada por Flávio.
Ao longo dos discursos nos últimos dias, Flávio também já tem adotado essa postura. Em agendas em Alagoas, ele reforçou por várias vezes ter experiência e “estar pronto” para ser presidente do Brasil.
Ao mesmo tempo em que tenta ampliar a candidatura, porém, Flávio não pode se afastar da base que sustenta seu projeto eleitoral. O bolsonarismo continua sendo seu principal ponto de apoio, e a associação com Jair Bolsonaro é justamente o que lhe garante reconhecimento e mobilização entre esse eleitorado. Até por isso, Flávio ressalta que não será “moderado” na segurança pública, por exemplo.