Exportação enfraquecida de milho da safrinha exige estratégia de venda
Volume colhido supera em 30 pontos percentuais o que já foi comercializado; embarques do Brasil somam menos da metade do registrado nos dois anos anteriores
A colheita no milho safrinha está na reta final com mais de 90% as áreas colhidos. A produção, da segunda safra ou de inverno, deve atingir 143 milhões de toneladas nessa temporada, segundo a Conab. Porém, apenas 60% da produção havia sido vendida até o fim de agosto, segundo dados compilados pela consultoria Biond Agro.
O gargalo, segundo o levantamento da consultoria, está no escoamento externo. Até o fim de agosto, o Brasil tinha embarcado de 16,7 milhões de toneladas de milho, abaixo dos quase 30 milhões de toneladas registrados no mesmo período de 2024 e de 2025.
Dois fatores explicam a perda de competitividade externa, segundo a consultoria: a Argentina, que produziu uma safra recorde e oferece preços mais mais atrativos; e a retração das compras do Irã por causa da Guerra, tradicional destino do grão brasileiro.
Recomendado para você
Solução criada no Amazonas leva TVLar Motos ao 1º lugar no Brasil em vendas
Contra a restrição de crédito: solução criada no Amazonas leva...
2026-09-04 15:49:15Credcesta, ligado ao Master, ficou habilitado por 3 anos no governo Tarcísio e movimentava R$ 25 milhões por mês, diz governador
Governador Tarcísio de Freitas cumpre agenda com Flávio Bolson...
2026-09-04 14:59:52Incorporadora reposiciona presença digital com estratégia da Lovatel Agência
Uma marca não permanece estática enquanto uma empresa cresce. ...
2026-09-04 14:26:58“Olhando para o mercado exportador, a Argentina é hoje o player mais competitividade”, avalia Yedda Monteiro, analista da Biond Agro.
O recuo é ainda mais evidente quando comparado a anos anteriores, diz Yedda: "em 2022 e 2023 tivemos picos de venda principalmente para a China, mas agora o país asiático está fora das compras devido a grande produção por lá”.
Mercado interno assume o protagonismo
Com menos milho sendo embarcado nos portos, uma fatia bem maior da produção brasileira deverá ser absorvida pelo mercado interno. Na avaliação da Biond Agro o poder de precificação do grão está agora com a indústria doméstica, principalmente para a produção do etanol de milho.
"Com os preços mais altos, as indústrias devem priorizar, primeiro, seus estoques para depois entrar no mercado comprador, quando os preços estiverem mais atrativos. E esse movimento pode pesar para o produtor", explica a analista.
A alta recente do grão, no mercado externo e interno, de deve a quebra de safras na Europa e qualidade das lavouras nos Estados Unidos, que tem sustentado os preços na Bolsa de Chicago e refletem na B3. O grão encerrou agosto com alta de 7% na bolsa brasileira, e já soma 1% de alta nesses primeiros dias de setembro, com a saca cotada em R$ 71,06 na quinta-feira (03).
Yedda destaca que os repasses de alta no mercado físico dependem da logística e de compradores. Enquanto a saca de 60 quilos é comercializada por cerca de R$ 68,37 em Campinas (SP), o maior valor, em Querência (MT) o preço é por R$ 47,52. São 43,66% de diferença.
Para quem não depende de fluxo de caixa imediato a analista recomenda: "para quem tem condições talvez segurar um pouco agora da produção pensando na entressafra para o milho verão, já que podemos algum ´soluço´ por conta do El Niño".