Exportação enfraquecida de milho da safrinha exige estratégia de venda

Volume colhido supera em 30 pontos percentuais o que já foi comercializado; embarques do Brasil somam menos da metade do registrado nos dois anos anteriores

Exportação enfraquecida de milho da safrinha exige estratégia de venda
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Exportação enfraquecida de milho da safrinha exige estratégia de venda

Volume colhido supera em 30 pontos percentuais o que já foi comercializado; embarques do Brasil somam menos da metade do registrado nos dois anos anteriores

Juliana Camargo, , São Paulo

A colheita no milho safrinha está na reta final com mais de 90% as áreas colhidos. A produção, da segunda safra ou de inverno, deve atingir 143 milhões de toneladas nessa temporada, segundo a Conab. Porém, apenas 60% da produção havia sido vendida até o fim de agosto, segundo dados compilados pela consultoria Biond Agro.

O gargalo, segundo o levantamento da consultoria, está no escoamento externo. Até o fim de agosto, o Brasil tinha embarcado de 16,7 milhões de toneladas de milho, abaixo dos quase 30 milhões de toneladas registrados no mesmo período de 2024 e de 2025.

Dois fatores explicam a perda de competitividade externa, segundo a consultoria: a Argentina, que produziu uma safra recorde e oferece preços mais mais atrativos; e a retração das compras do Irã por causa da Guerra, tradicional destino do grão brasileiro.

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“Olhando para o mercado exportador, a Argentina é hoje o player mais competitividade”, avalia Yedda Monteiro, analista da Biond Agro.

O recuo é ainda mais evidente quando comparado a anos anteriores, diz Yedda:  "em 2022 e 2023 tivemos picos de venda principalmente para a China, mas agora o país asiático está fora das compras devido a grande produção por lá”.

 

Mercado interno assume o protagonismo 

Com menos milho sendo embarcado nos portos, uma fatia bem maior da produção brasileira deverá ser absorvida pelo mercado interno.  Na avaliação da Biond Agro o poder de precificação do grão está agora com a indústria doméstica, principalmente para a produção do etanol de milho.

"Com os preços mais altos, as indústrias devem priorizar, primeiro, seus estoques para depois entrar no mercado comprador, quando os preços estiverem mais atrativos. E esse movimento pode pesar para o produtor", explica a analista.

A alta recente do grão, no mercado externo e interno, de deve a quebra de safras na Europa e qualidade das lavouras nos Estados Unidos, que tem sustentado os preços na Bolsa de Chicago e refletem na B3.  O grão encerrou agosto com alta de 7% na bolsa brasileira, e já soma 1% de alta nesses primeiros dias de setembro, com a saca cotada em R$ 71,06 na quinta-feira (03).

Yedda destaca que os repasses de alta no mercado físico dependem da logística e de compradores. Enquanto a saca de 60 quilos é comercializada por cerca de R$ 68,37 em Campinas (SP), o maior valor, em Querência (MT) o preço é por R$ 47,52. São 43,66% de diferença.

Para quem não depende de fluxo de caixa imediato a analista recomenda: "para quem tem condições talvez segurar um pouco agora da produção pensando na entressafra para o milho verão, já que podemos algum ´soluço´ por conta do El Niño".



Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/agro/exportacao-enfraquecida-de-milho-da-safrinha-exige-estrategia-de-venda/