Expointer: “terroir” gaúcho e certificação elevam valor da erva-mate

Maior exportador de mate do país, Rio Grande do Sul leva à feira produção dos cinco principais polos ervateiros do estado

Expointer: “terroir” gaúcho e certificação elevam valor da erva-mate
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Expointer: "terroir" gaúcho e certificação elevam valor da erva-mate

Maior exportador de mate do país, Rio Grande do Sul leva à feira produção dos cinco principais polos ervateiros do estado

Isadora Camargo, , São Paulo

Símbolo do Rio Grande do Sul e matéria-prima do tradicional chimarrão, a erva-mate ganhou espaço próprio na Expointer, em Esteio (RS), com uma estratégia que vai além da tradição: elevar o valor do produto por meio de certificação, rastreabilidade e reconhecimento da origem.

Representantes dos cinco principais polos ervateiros gaúchos participam da 49ª edição da feira, que termina neste domingo (6).

A iniciativa ocorre em um estado que tem peso relevante na produção e, principalmente, no comércio externo do produto. Dados oficiais da Secretaria da Agricultura mostram que o Rio Grande do Sul colhe erva-mate em cerca de 29 mil hectares, com produção de aproximadamente 275 mil toneladas.

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Em 2024, o Estado exportou mate para 33 países e movimentou US$ 79,9 milhões, ocupando a posição de maior exportador brasileiro do produto.

Na Expointer, a cadeia está representada pelos polos do Alto Taquari, Alto Uruguai, Missões, Nordeste Gaúcho e Região dos Vales.

O Alto Taquari, sozinho, concentra cerca de 60% da produção estadual e reúne produtores e dezenas de empresas ligadas à atividade.

Certificação para agregar valor

Um dos focos apresentados durante a feira é a certificação da erva-mate desenvolvida no trabalho de Assistência Técnica e Extensão Rural e Social (Aters). A proposta é assegurar critérios relacionados à qualidade, procedência e boas práticas de fabricação.

Segundo o extensionista rural Filipi Fagundes dos Santos, a certificação também funciona como reconhecimento do trabalho realizado pelas agroindústrias e pelas famílias responsáveis pela produção da matéria-prima.

“O selo atesta que o produto atende aos critérios de qualidade, procedência e boas práticas de fabricação, além de reconhecer o trabalho das agroindústrias e das famílias produtoras da matéria-prima”, afirmou, em comunicado.

A rastreabilidade e a identificação da origem ganham importância em uma cadeia que tenta diferenciar o produto não apenas pelo volume produzido, mas também pelas características de cada região, o famoso "terroir".

Origem vira estratégia comercial

Outro destaque da Expointer é a divulgação da Indicação Geográfica (IG) da erva-mate de Machadinho. O reconhecimento associa o produto ao território e às características específicas desenvolvidas a partir das condições naturais e das práticas tradicionais de produção da região.

Outras regiões produtoras também trabalham para avançar nesse caminho. No Alto Taquari, produtores, empresas, pesquisadores e poder público estudam as características sensoriais da erva-mate como parte da estruturação de uma futura Indicação Geográfica.

O trabalho busca identificar aromas, sabores e outros atributos capazes de diferenciar a produção regional e, consequentemente, ampliar a agregação de valor.

Rio Grande do Sul lidera exportações

A cadeia também tem importância no mercado externo. Dos US$ 79,9 milhões exportados pelo Rio Grande do Sul em mate em 2024, cerca de US$ 58 milhões tiveram o Uruguai como destino, equivalente a mais de 70% do valor comercializado pelo Estado.

A Argentina apareceu em segundo lugar, com US$ 11,8 milhões, seguida pela Síria, com US$ 5,4 milhões. Espanha e Estados Unidos também figuraram entre os principais compradores.

Na Expointer, a estratégia de destacar certificação, procedência e Indicações Geográficas mostra um movimento da cadeia para transformar uma tradição profundamente associada à cultura gaúcha também em instrumento de diferenciação comercial.

Reconhecida como patrimônio cultural imaterial do Rio Grande do Sul desde 2023, a erva-mate chega à feira, portanto, com dois papéis: preservar a identidade ligada ao chimarrão e buscar mais valor para produtores e agroindústrias a partir da qualidade e da origem do produto.



Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/agro/expointer-terroir-gaucho-e-certificacao-elevam-valor-da-erva-mate/