Eventos climáticos elevam riscos na infraestrutura e desafiam concessões

Em meio a episódios recorrentes, especialistas defendem que possíveis ameaças sejam considerados desde a modelagem dos projetos, sob risco de elevar custos, reduzir a atratividade para investidores...

Eventos climáticos elevam riscos na infraestrutura e desafiam concessões
Compartilhar:

Eventos climáticos elevam riscos na infraestrutura e desafiam concessões

Em meio a episódios recorrentes, especialistas defendem que possíveis ameaças sejam considerados desde a modelagem dos projetos, sob risco de elevar custos, reduzir a atratividade para investidores e comprometer serviços essenciais

Rafael Villarroel, , São Paulo

Em meio à recorrência de eventos climáticos extremos, os riscos associados a esses fenômenos estão ganhando espaço na equação financeira e operacional de concessões e PPPs (Parcerias Público-Privadas) de infraestrutura no Brasil.

Entre os exemplos estão as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul, em 2024, e o tornado em Rio Bonito do Iguaçu, no oeste paranaense, em novembro do ano passado.

Com esse cenário, especialistas ouvidos pela CNN defendem que os riscos de possíveis eventos, como enchentes, secas e deslizamentos sejam considerados desde a modelagem dos projetos, incluindo o uso da infraestrutura resiliente, como forma de mitigar impactos sobre os custos, atratividade aos investidores e a prestação de serviços essenciais.

Recomendado para você

As falas ocorreram durante um encontro para discutir os "impactos econômicos e sociais pelas mudanças climáticas no Brasil, organizado pelo E-Mundi e promovido pelo Instituto Clima e Sociedade (ISC).

A infraestrutura resiliente busca prevenir e incorporar, desde o planejamento dos projetos, soluções capazes de reduzir os impactos além de preservar a continuidade dos serviços. As medidas variam conforme os riscos de cada região e podem envolver adaptações, reforço de estruturas, sistemas de contenção e soluções que garantam a continuidade dos serviços.

Para o economista e sócio da Radar PPP, consultoria focada no mercado de concessões, Bruno Carnelosso, os fatos climáticos extremos podem impactar o interesse de investidores em participar dos projetos/licitações.

Diante disso, o especialista defende incorporar esses riscos ainda na fase de estudos, permitindo dimensionar os recursos necessários para tornar a infraestrutura mais resiliente e, ao mesmo tempo, manter o projeto atrativo para a iniciativa privada.

Como exemplo, Carnelosso cita um trecho rodoviário no Litoral Norte paulista que enfrenta dificuldades para ser concedido devido à exposição a riscos de deslizamentos.

Para ele, a situação reforça a necessidade de incorporar os eventos aos estudos e à modelagem dos projetos, prevendo recursos para tornar a infraestrutura mais resiliente sem comprometer a viabilidade.

Segundo dados da CNT (Confederação Nacional do Transporte), o custo dos desastres climáticos entre 2020 e 2023 alcançou R$ 188,7 bilhões.

Não só transporte, mas escola, hospital, iluminação pública: qualquer tipo de projeto de infraestrutura é importante olhar e entender a região específica onde vai ser feito.”

Saneamento vulnerável

Entre os setores afetados pelos riscos climáticos, o saneamento é tido como vulnerável, mas também pode ser parte da solução, segundo afirmou Gesner Oliveira, professor da EAESP-FGV e sócio-executivo da GO Associados.

Gesner argumentou que a prevenção deve começa através da informação e gestão de risco. Segundo ele, não há uma solução uniforme para o país.

Não adianta, por exemplo, você tentar prevenir contra a seca, se a probabilidade de seca naquela região é muito grande, então você tem que modular o seu investimento preventivo de acordo com a região, com as séries históricas (...) a prevenção requer muita informação, então você precisa gerar uma série de métricas para que tenha uma boa gestão de risco.

Para o especialista, os sistemas de tratamento de água e de coleta e tratamento de esgoto são muito vulneráveis, por exemplo, a enchentes, mas a própria infraestrutura de saneamento pode ser utilizada para reduzir os impactos dos eventos climáticos extremos.

Entre as alternativas, Gesner cita áreas de contenção e encostas, como controle dos efeitos de enchentes, além da produção de água de reúso, que pode servir como alternativa em situações de interrupção do abastecimento.

“Você pode ter áreas de contenção e áreas de produção de água de reúso. A contenção atenuaria, por exemplo, enchentes, enquanto a água de reúso permitiria produzir água quando a produção fosse afetada pela enchente", defendeu.



Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/infra/eventos-climaticos-elevam-riscos-e-desafiam-concessoes/