A doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ), diagnosticada no influenciador Lito Sousa, de 59 anos, é estudada por pesquisadoras brasileiras da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). A pesquisa investiga a proteína que está ligada à origem da DCJ, que integra um grupo raro de condições neurológicas chamadas de doenças priônicas.
O estudo foi publicado na revista Science Advances e utilizou a linha de luz Cateretê do Sirius, o acelerador de partículas de 68 mil metros quadrados lozalizado no CNPEM (Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais). Inaugurada em 2018, a infraestrutura de pesquisa é considerada a maior e mais complexa já construída no Brasil.
Lito Sousa dá 1ª entrevista desde diagnóstico: “Vou estar preparado”
Recomendado para você
Diretor do Vasco confirma que David seguirá jogando durante investigação
Atacante do Cruzmaltino é alvo de uma operação da Polícia Civil contra...
2026-08-31 14:04:00Baleado, homem se enrola em saco plástico para escapar de homicídio no litoral do Piauí
HEDA - Parnaíba Ascom Sesapi Paulo Gomes, de 21 anos, sobreviv...
2026-08-31 13:11:28Israel recruta influenciadores católicos americanos para combater antissemitismo
Governo israelense intensifica aproximação com católicos dos EUA atrav...
2026-08-31 13:07:12Doenças Priônicas
Doenças causadas por príons ou encefalopatias espongiformes transmissíveis são um grupo de doenças neurodegenerativas com longos períodos de incubação e que podem afetar seres humanos e outros animais.
A doença de Creutzfeldt-Jakob e a Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB), popularmente conhecida como “doença da vaca louca”, estão entre as mais conhecidas do grupo.
Apesar de raras, a principal marca dessas doenças é a evolução ultra rápida do quadro clínico, já que, atualmente, não existe terapia capaz de reverter ou estancar a evolução. Além disso, são as únicas doenças conhecidas que são causadas por proteínas.
As condições são provocadas por um príon, partícula de proteína anormal altamente estável e resistente a métodos de desinfecção convencionais.
Todos os seres humanos possuem a proteína priônica (codificada pelo gene PRNP) no cérebro. No entanto, quando sua estrutura é alterada para uma forma aberrante, conhecida como PrPSC, ela se torna um agente infeccioso capaz de se ligar à proteína normal e também convertê-la em sua forma aberrante.
Isso pode ocorrer devido a razões genéticas ou fatores ainda não compreendidos pela ciência, e pode causar danos neurológicos significativos, sendo inevitavelmente fatal.
As doenças priônicas podem ser esporádicas, familiares ou adquiridas, sendo a forma esporádica a mais comum entre seres humanos. Acredita-se que essa forma se dá por um erro nos processos celulares, fazendo com que a PrPC seja convertida em PrPSC de forma espontânea.
Entenda a pesquisa brasileira
As pesquisas na área investigam o papel dos íons de cobre no surgimento e na evolução dessas condições. Mariana Juliani do Amaral, autora principal do estudo, explica que esses íons se concentram na fenda sináptica — região de comunicação entre os neurônios — e passam a desencadear reações químicas nocivas.
Eles geram as chamadas espécies reativas de oxigênio (ROS), que reagem com biomoléculas como lipídios, proteínas e DNA, provocando mutações ou a agregação de proteínas”, afirma. A pesquisadora destaca ainda a relevância ampla dos achados: “As espécies reativas de oxigênio são um ponto em comum em todas as doenças neurodegenerativas. Por isso, embora focado na proteína príon, o trabalho traz insights aplicáveis a outras enfermidades.
Mariana Juliani do Amaral, autora principal do estudo
O estudo utilizou técnicas avançadas de análise, como a espectroscopia de correlação de fótons de raios X (XPCS) da linha Cateretê do Sirius, para investigar a dinâmica desses condensados intracelulares.
Aline Ribeiro Passos, pesquisadora do CNPEM e coautora do artigo, destaca que técnicas de caracterização convencionais trazem informações sobre o todo, e não as informações necesásárias para o estudo.
As pesquisadoras precisavam de informações sobre os condensados intracelulares, e a coerência do feixe gerado pelo Siriuspossibilita a realização do estudo da dinâmica em escala micrométrica, fornecendo informações quantitativas da fase condensada e da forma líquida ou gel das gotículas de proteína.
Com concentrações extremamente altas, as gotículas representam um marco na compreensão da interação entre a proteína príon e os íons de cobre. A descoberta reforça a hipótese de que essas estruturas evoluem para agregados mais estáveis ao longo do tempo, desencadeando danos celulares e a progressão de doenças neurodegenerativas.
“Esta é uma área bastante promissora porque oferece novas oportunidades para tratamento. Nós não sabíamos que havia esse intermediário entre a forma solúvel a forma agregada de proteínas. E essas gotículas líquidas podem ser bons alvos farmacológicos, já a forma agregada não. Se conseguirmos manter a forma líquida dessas gotículas, talvez possamos impedir a progressão dessas doenças neurodegenerativas.”, comenta Mariana.
O trabalho foi desenvolvido em conjunto com outras pesquisadoras, incluindo a professora Susanne Wegmann, do DZNE (German Center for Neurodegenerative Diseases), que faz parte de um grupo focado em descrever processos de separação de fase nessas circunstâncias.