Espanha instala barreira flutuante em Ceuta após caos na fronteira

Autoridades espanholas dizem que 48 mil das 60 mil pessoas que cruzaram do Marrocos para território espanhol já voltaram

Espanha instala barreira flutuante em Ceuta após caos na fronteira
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Espanha instala barreira flutuante em Ceuta após caos na fronteira

Autoridades espanholas dizem que 48 mil das 60 mil pessoas que cruzaram do Marrocos para território espanhol já voltaram

Michael Francis Gore, da Reuters

A polícia da Espanha instalou neste sábado (1º) uma barreira flutuante de 500 metros na fronteira entre o território espanhol de Ceuta e o Marrocos. O objetivo é impedir a passagem irregular de pessoas nadando após o caos dos últimos dias.

O governo espanhol informou que a travessia de migrantes para o enclave norte-africano cessou durante a madrugada deste fim de semana.

A corrida desenfreada em massa resultou na morte de pelo menos 67 pessoas.

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Segundo as autoridades espanholas, cerca de 50 mil pessoas entraram em Ceuta por terra e por mar desde quinta-feira (30), em um fluxo sem precedentes em uma das poucas fronteiras terrestres da União Europeia com a África.

Mais de 48 mil delas já retornaram ao Marrocos em um período de 48 horas, sem incidentes graves, informou a Espanha.

Agentes da Guarda Civil começaram a instalar a nova barreira às 7h50 (02h50 no horário de Brasília) no quebra-mar de Tarajal — um dos principais pontos utilizados por pessoas que tentam entrar no pequeno território espanhol —, informou o governo em comunicado.

A barreira pneumática, que complementa uma linha de boias navais ancoradas, foi projetada para ficar entre 30 e 70 centímetros acima da água e estender-se até um metro abaixo da superfície; um canal entre as barreiras permitirá que embarcações da Guarda Civil patrulhem a área.

Marrocos é avaliado como "parceiro totalmente confiável"

Pelo menos 67 corpos foram encontrados no lado espanhol da fronteira, informaram as autoridades, após alguns migrantes se afogarem e outros serem esmagados ao tentar escalar o quebra-mar e a cerca fronteiriça.

Muitos foram incentivados a migrar por dificuldades econômicas e por rumores nas redes sociais.

O ministro do Interior da Espanha, Fernando Grande-Marlaska, atribuiu a culpa a redes de tráfico de pessoas que exploram migrantes vulneráveis ​​e disseminam interpretações equivocadas de uma decisão recente da Suprema Corte espanhola, segundo a qual migrantes interceptados no mar não podem ser devolvidos sumariamente na ausência de uma barreira física.

Falando de Ceuta, Grande-Marlaska disse a repórteres que a Espanha havia restabelecido a ordem em grande parte dentro de 24 horas, mas alertou que a crise ainda não havia terminado formalmente e que o reforço policial e militar permaneceria no local pelo tempo necessário, embora o número de travessias noturnas tivesse caído para praticamente zero.

"O Marrocos não representa nenhuma ameaça a Ceuta ou ao restante da Espanha — é um parceiro totalmente confiável", disse ele, acrescentando que não havia informações de inteligência indicando que uma entrada em massa fosse iminente.

Governos europeus pedem reunião de emergência

Ceuta e o outro enclave espanhol no norte da África, Melilla, estão situados na costa mediterrânea do Marrocos e enfrentam periodicamente tentativas de travessia por parte de migrantes que buscam chegar à Europa.

A tentativa mais recente causou divisão na UE, com vários países exigindo que a Espanha garantisse a contenção do incidente.

Vinte e dois governos da UE pediram, neste sábado (1º), uma reunião de emergência dos ministros do Interior para discutir a crise em Ceuta, instando o bloco a ajudar Madri a retomar o controle de sua fronteira com o Marrocos.

Enquanto isso, o primeiro-ministro espanhol de centro-esquerda, Pedro Sánchez, também pediu aos líderes da UE que convocassem os ministros do Interior com urgência, mas criticou os governos que haviam defendido a exclusão da Espanha da área de Schengen — o espaço do bloco que permite viagens sem necessidade de passaporte.

O governo de direita da Itália anunciou na sexta-feira a suspensão, por um mês, dos acordos de Schengen com a Espanha.

"No atual contexto internacional, a UE não pode se dar ao luxo desse tipo de reação egoísta, polarizadora e ilegal", escreveu Sánchez.

Autoridades em Roma não responderam imediatamente a um pedido de comentário no sábado.

Na carta enviada pelos governos da UE à Irlanda — que ocupa a presidência rotativa do bloco —, os países afirmaram que as travessias desafiavam a fronteira externa da UE e corriam o risco de incentivar mais migração ilegal.

Eles pediram uma resposta coordenada, incluindo possível apoio adicional da Frontex (agência de fronteiras da UE) e uma revisão da cooperação com o Marrocos. França, Luxemburgo e Portugal não assinaram a carta, assim como a Espanha e a Irlanda.

Pressão sobre Schengen

Madri afirmou que as pessoas que entraram irregularmente em Ceuta não poderiam seguir viagem para o território continental da Espanha ou para outras partes da zona de Schengen.

Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores acrescentou que os viajantes que deixam Ceuta por via marítima ou aérea passam por verificações policiais de identidade, o que representa uma segunda camada de controle após a fronteira terrestre com o Marrocos.

Ao contrário da maior parte da Europa, a Espanha adotou uma postura mais aberta em relação aos migrantes, lançando um programa para conceder residência a mais de meio milhão de pessoas em situação irregular.

No entanto, o governo rejeitou as sugestões de que o programa de regularização teria incentivado a corrida para Ceuta, afirmando que os solicitantes devem comprovar residência na Espanha antes de 1º de janeiro de 2026, bem como cinco meses de residência ininterrupta no momento da solicitação.

Sánchez, que visitou Ceuta na sexta-feira (31), descreveu as travessias como uma violação da soberania territorial da Espanha e afirmou que as repatriações estavam sendo aceleradas com a cooperação do Marrocos.



Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/espanha-instala-barreira-flutuante-em-ceuta-apos-caos-na-fronteira/