O rastro das múltiplas emergências desencadeadas pelo terremoto na Colômbia, entre o número de mortos e de casas desabadas, tem uma estatística que impressiona por sua dimensão e pelo efeito sobre os mais vulneráveis: os mais de 3.400 centros educacionais afetados, escolas e colégios que servem de abrigo e acolhimento para crianças e que sofreram mais danos nas zonas rurais mais necessitadas.
Em sua visita a Quibdó, uma das capitais departamentais mais afetadas do país, a cantora Shakira prometeu reconstruir a Universidade Tecnológica de Chocó e construir 10 novas escolas, e comprometeu várias organizações a doar fundos para os centros educacionais.
Ela explicou que o que mais a preocupa é que, após o estado de emergência, “tantas pessoas fiquem no esquecimento e desabrigadas, e nossas crianças não possam voltar à escola”.
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2026-08-22 00:21:56A cantora deu ênfase a uma das zonas mais desfavorecidas do país, com desigualdades históricas que poderiam se aprofundar com o desastre natural.
“Existe uma grande lacuna entre a infraestrutura rural e a urbana”, explicou à CNN Ricardo Bonett, doutor em engenharia sísmica e professor da Universidade de Medellín, coautor de estudos sobre o risco nas escolas.
“Uma grande porcentagem dos centros educacionais rurais foi projetada e construída sem cumprir os requisitos das normas vigentes de projeto sismo-resistente nem sob a supervisão técnica de um profissional com as devidas competências”, revisou.
O pesquisador destacou também o desafio que o terreno apresenta desde antes da obra.
“Muitas das escolas foram construídas em zonas instáveis do ponto de vista geológico ou sob a ameaça de outros fenômenos, tais como vendavais, movimentos de massa ou enxurradas. O estado prévio de muitas destas escolas rurais é deficiente por problemas não apenas da forma como foram construídas, mas por condições adversas do terreno onde foram construídas e pela ausência de uma manutenção preventiva”, explicou.
O Ministério da Educação anunciou uma diretriz com orientações “para a proteção da comunidade educativa e a continuidade na prestação do serviço”, com medidas como planos de virtualidade, primeiros socorros psicológicos e um programa para a aquisição de tablets.
FOTOS: Veja imagens da destruição causada por terremoto de 7,4 na Colômbia
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Prédio desaba após terremoto de magnitude 7,4 na Colômbia • REUTERS
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Uma mulher ora enquanto pessoas se reúnem do lado de fora de um prédio após um terremoto em Bogotá, na Colômbia • REUTERS
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Edifício colapsa em Cali após terremoto na Colômbia • REUTERS
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Danos causados em Cali pelo terremoto • REUTERS
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Danos em um prédio em Cali após terremoto de magnitude 7,4 na Colômbia
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Edifício desaba parcialmente após terremoto • REUTERS
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No entanto, nem todas as medidas são igualmente aplicáveis no território nacional, especialmente em zonas de baixa conectividade e que também foram afetadas no fornecimento de energia elétrica.
As autoridades confirmaram que mais de 400 mil estudantes têm sua matrícula afetada. Dezenas de milhares não sabem quando voltarão às aulas. O número é preocupante, disse à CNN María Mercedes Liévano, diretora executiva da ONG Save The Children na Colômbia.
“Quando se perde a escola como espaço seguro, é isso que temos que garantir: que a tragédia não interrompa o acesso seguro à educação. Têm que recuperar rotinas, sentir segurança. É triste que sejam tantas sedes educativas (afetadas), são tristes as condições em que estavam”, comentou.
A Colômbia tem mais de 56 mil edifícios escolares e 82% estão em zonas rurais, segundo dados do Departamento Administrativo Nacional de Estatística. Assim, dezenas de milhares de edificações estão distantes dos grandes centros urbanos, o que dificulta as tarefas de inspeção, manutenção e reforço.