"Equipe africana": França declara governadora argentina "persona non grata"
Hebe Casado endossou falas da senadora Celeste Amarilla, do Paraguai, também acusada de racismo pelos atletas franceses
A embaixada da França em Buenos Aires declarou a governadora da província de Mendonza, Hebe Casado, como "persona non grata" no país europeu após a publicação de comentários de caráter racista nas redes sociais.
Na última semana, Casado escreveu no X que a seleção do país, liderada por Kylian Mbappé, era uma "equipe africana".
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O episódio reacende a questão que se arrasta entre os países desde a final da Copa do Mundo de 2022, marcada por episódios de teor racista entoados por torcedores argentinos contra jogadores franceses de ascendência africana.
Caso tem relação com o da senadora paraguaia
Hebe Casado endossou críticas feitas pela senadora paraguaia Celeste Amarilla contra a postura de Mbappé após a eliminação do Paraguai diante da França.
"Muito bem, Paraguai. A equipe africana, fraca de modos. Não suporto o Mbappé", escreveu.
Pressionada pela opinião pública, ela se recusou a pedir desculpas. Em entrevista à rádio local LV10, Casado atribuiu a reação negativa ao que chamou de "wokismo" e rebateu as acusações de preconceito.
"Não vejo a parte racista no comentário. Se alguém interpreta como racista, é porque considera os africanos inferiores. Eu não os considero inferiores. Os discriminadores e racistas são aqueles que pensam que ser africano é um insulto."
A tensão escalou quando Casado compartilhou uma publicação do jornalista espanhol Javier Negre defendendo que apontar a origem dos atletas franceses "é um fato objetivo, não racismo".
Após a resposta rápida, o embaixador da França na Argentina, Romain Nadal, foi incisivo ao justificar a sanção aplicada à vice-governadora.
"O racismo não é uma opinião, é um crime. Não há espaço para o racismo na cooperação franco-argentina", declarou.
Como uma "persona non grata", Hebe Casado fica formalmente vetada de participar de qualquer atividade oficial, recepção ou reunião institucional que conte com a presença de representantes da Embaixada da França no país.
Até o momento, o governador de Mendoza, Alfredo Cornejo, da legenda social-democrata União Cívica Radical (UCR), optou por não se manifestar sobre o caso.
Mendoza é a principal região vinícola da Argentina e mantém laços comerciais e turísticos estreitos com a França. Empresários e investidores franceses possuem forte presença no setor de vitivinicultura da província, e o temor nos bastidores é de que o desgaste político respingue nos negócios bilaterais da região.