Entenda a "Lei Rouanet" que Trump quer implementar para Hollywood
Presidente americano defende incentivos fiscais para geração de empregos na indústria cinematográfica e televisiva: "Valor gasto será compensado dez vezes"
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou pelas redes sociais, no início da semana, que o Congresso americano deveria aprovar incentivos fiscais para a indústria do entretenimento.
"Eu vou sugerir que republicanos e democratas se unam e elaborem imediatamente uma legislação para salvar a indústria cinematográfica, televisiva e de entretenimento nos Estados Unidos", escreveu em publicação na Truth Social.
A proposta de legislação feita por Trump foi alvo de comparações à Lei Federal de Incentivo à Cultura brasileira, conhecida como Lei Rouanet, que funciona a partir da renúncia fiscal de empresas e destinação de parte de seus impostos para o fomento da cultura.
Recomendado para você
7 de setembro: confira o esquema de trânsito para o desfile cívico em João Pessoa
Desfile de 7 de setembro de 2023, em João Pessoa Antônio Vieir...
2026-09-04 16:00:09Quaest: para 57%, ausência de candidato em debates não afeta decisão do voto
Pesquisa Quaest divulgada nesta sexta-feira (4) mostra que, pa...
2026-09-04 15:52:34F1 prepara grande evento em Milão para abrir temporada 2027
Festival reunirá as 11 equipes da categoria em três dias de programaçã...
2026-09-04 15:44:39Uma pesquisa elaborada pela FGV (Fundação Getúlio Vargas) no início do ano apontou que, para cada R$ 1 investido via renúncia fiscal através da Lei Rouanet, R$ 7,59 retornaram à economia e à sociedade, além de R$ 1,39 em arrecadação tributária.
Para a "versão americana" da Lei Rouanet, Trump disse ter se reunido com o ator Jon Voight – considerado uma espécie de embaixador do governo americano em Hollywood – que sugeriu os incentivos fiscais federais.
"Ele é um homem fantástico que ama nosso país e se preocupa muito com a indústria cinematográfica e televisiva. Ele detesta o que aconteceu com ela! Está se dissipando por completo. Mudou-se para o Canadá e outros países, com muito pouco trabalho sendo feito nos Estados Unidos. Hollywood é um desastre completo e total!", escreveu o presidente.
"Não há incentivo para estar lá [Hollywood], e isso está prejudicando muito a Califórnia. Jon e muitos outros na indústria estão sugerindo que criemos incentivos fiscais federais para tornar nossa produção de cinema e televisão GRANDE NOVAMENTE, talvez MAIOR DO QUE NUNCA!", completou.
Há anos, os EUA enfrentam uma espécie de êxodo na indústria de entretenimento, com muitas séries e filmes optando por transferir as produções para países como Canadá e Reino Unido, que oferecem créditos fiscais para o setor audiovisual.
Trump argumentou que o "valor gasto em incentivos fiscais será compensado dez vezes pelo dinheiro que entrará nos cofres do Tesouro" e disse que serão agendadas reuniões entre as lideranças democratas e republicanas no Congresso.
"Isso pode ser feito de forma rápida, precisa, eficiente e, o mais importante, beneficiará todos os americanos. O que assistimos nas telonas deve ser produzido naquela que já foi a capital mundial do cinema", concluiu.
A agência Reuters apurou que Voight está trabalhando com uma coalizão de agentes da indústria do entretenimento que inclui a Motion Picture Association, associação que representa os cinco maiores estúdios de Hollywood, o Directors Guild of America, que representa os interesses de diretores de cinema e televisão, além de sindicatos de atores, roteiristas e outros talentos.
Steven Paul, CEO do SP Media Group, produtor de cinema e agente de Voight, e Scott Karol, presidente do SP Media, propuseram um crédito fiscal federal de 20% para custos de mão de obra em produções cinematográficas ou televisivas nos Estados Unidos.
"Apoiamos a iniciativa do presidente Trump de manifestar seu apoio a essa ação vital e esperamos continuar trabalhando com a Casa Branca e líderes bipartidários no Congresso para transformar em lei um incentivo nacional significativo e eficaz", disse Charles Rivkin, presidente e CEO da Motion Picture Association, em comunicado à Reuters.