A infraestrutura de energia deixou de ser apenas um suporte às operações e passou a ser um dos principais fatores para determinar a competitividade da mineração na América Latina. É o que aponta um estudo da Aggreko, segundo o qual a capacidade de garantir fornecimento confiável de eletricidade será decisiva para viabilizar novos projetos e manter operações eficientes em um cenário de crescente demanda por minerais críticos.
Segundo o levantamento, países como Brasil, Chile, Peru, México e Argentina concentram parte das principais reservas minerais do mundo, mas compartilham um desafio comum: transformar esse potencial geológico em operações resilientes, eficientes e capazes de atender às exigências da transição energética.
Entre os executivos ouvidos, 40% afirmam que o custo e a disponibilidade de fontes renováveis ainda representam obstáculos para acelerar essa transformação. Hoje, as grandes mineradoras e siderúrgicas no Brasil apostam em autoprodução para manter o funcionamento, mas operações remotas de menor porte ainda sofrem com a confiabilidade energética. Nestes casos, o estudo também conclui que, nos próximos cinco a dez anos, o diesel continuará desempenhando papel relevante como fonte de segurança energética.
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2026-07-07 07:17:25A Aggreko destaca ainda que soluções híbridas, sistemas modulares de geração, digitalização das operações e modelos flexíveis de fornecimento de energia tendem a ganhar espaço no setor.
Desafio da energia confiável
“No fim do dia, o desafio não é gerar energia limpa ou térmica, mas entregar energia confiável. A transição acontece quando conseguimos fazer isso com mais eficiência, menor impacto e maior previsibilidade, mesmo nos lugares mais remotos”, resume José Albornoz, gerente regional de Mineração da Aggreko.
A pesquisa indica que 66% dos líderes do setor já consideram que o futuro energético da mineração está associado a uma matriz mais sustentável, baseada em fontes renováveis e maior eficiência energética. Ao mesmo tempo, essa transformação implica maior complexidade operacional.
Segundo o documento, projetos bem-sucedidos estarão diretamente ligados à capacidade de superar gargalos estruturais, criando uma tendência de operações mais robustas, mais intensivas em planejamento e mais dependentes da integração entre infraestrutura, energia e estratégia industrial.
O levantamento também aponta para a necessidade de as empresas do setor olharem para além da extração mineral e passarem a tratar infraestrutura, energia e logística como elementos centrais do planejamento de suas operações na região.
Ainda assim, a falta de preparação pode elevar os custos. A Aggreko destaca que atrasos na infraestrutura energética resultam diretamente no adiamento de cronogramas de projetos e no aumento dos custos operacionais. O setor, que caminha para um modelo de produção contínua e ininterrupta, passa a exigir um suprimento de energia estável e previsível para garantir sua viabilidade operacional.
A pesquisa ressalta que, quanto maior a incerteza relacionada ao fornecimento de energia, maiores tendem a ser a necessidade de sistemas redundantes, os custos operacionais e a insegurança em decisões sobre novos investimentos e expansões.
Sustentabilidade como fator de mercado
Além do impacto direto sobre o desempenho do setor, o estudo destaca que sustentabilidade e eficiência energética caminham lado a lado com a geração de valor.
Os executivos consultados apontaram que a fonte de energia utilizada na produção influencia a pegada de carbono dos produtos finais, um aspecto que tem se tornado cada vez mais relevante para compradores e mercados internacionais. No entanto, a transição para fontes renováveis e menos poluentes avança à medida que cresce sua viabilidade econômica.